Mostrando postagens com marcador brasileiros no Japão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador brasileiros no Japão. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Simpósio internacional do CIATE sobre a profissionalização dos brasileiros no Japão

Será um dia de palestras, com convidados especiais que falarão de suas experiências na capacitação profissional da carreira escolhida

Simpósio do CIATE: Educação Profissionalizante e Capacitação dos Brasileiros no Japão

O Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior (CIATE), com sede na capital paulista, realizará mais um simpósio internacional, sendo que desta vez o tema é Educação Profissionalizante e Capacitação dos Brasileiros no Japão.

O evento será tanto presencial para que os residentes em São Paulo quanto online para os que vivem no Japão, e o melhor, é gratuito.

Foram convidados muitos palestrantes, incluindo um representante da Divisão de Política de Emprego Estrangeiro do Departamento de Segurança do Emprego do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão (MHLW), para falar sobre as políticas de apoio aos trabalhadores nipo-brasileiros.

Outros palestrantes, brasileiros, irão contar suas experiências sobre como se profissionalizaram, seja no Japão ou no Brasil, e como construíram suas carreiras.

Outro foco é o yonsei que quer trabalhar no Japão e ainda como fazer curso técnico e oportunidade de estudar a noite. 

Simpósio do CIATE: Educação Profissionalizante e Capacitação dos Brasileiros no Japão
Data: 3 de dezembro (horário do Brasil)
Horário do Brasil: 9h às 18h
Local: salão nobre do Bunkyo, 2.º andar
Inscrição: WhatsApp 011-95569-7351
Ao vivo pelo YouTube, ative o sino da notificação
Fonte: Portal Mie

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Palestra em Hamamatsu ajudará a solucionar pendências no Brasil

Serão abordados assuntos como divórcio, partilha de bens, dívidas e pensão alimentícia

Palestra em Hamamatsu
Para orientar os brasileiros residentes no Japão sobre como solucionar problemas relacionadas às áreas Cível e de Família, como divórcio, partilha de bens, dívidas, pensão alimentícia, entre outros, será realizada a palestra “Mediação e Conciliação para Brasileiros Residentes no Japão – Audiências Virtuais de mediação e conciliação de brasileiros”.

A palestra, em português, acontecerá no dia 19 de dezembro (domingo), das 10h às 11h30 no Centro Intercultural de Hamamatsu (Shizuoka), e será ministrada pelo advogado brasileiro Etsuo Ishikawa, consultor jurídico do Consulado-Geral do Brasil em Hamamatsu, Tóquio e Nagoia, membro do Instituto de Direito Comparado Brasil-Japão e representante da Associação Brasileira de Hamamatsu (Abrah).

Durante a palestra, o advogado falará sobre a nova forma de mediação para a comunidade brasileira, o projeto “Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) Amigo do Japão”, inaugurado no dia 17 de setembro deste ano.

A inscrição é gratuita e estará aberta até o dia 18 (sábado), podendo ser feita pelo telefone 053-458-2170 ou pessoalmente na Fundação Internacional de Hamamatsu (HICE), com atendimento em português, de terça a sábado, das 9h às 17h. Mas é bom não deixar para a última hora, pois há somente 20 vagas disponíveis.

O Centro Intercultural de Hamamatsu e a HICE estão localizados em Shizuoka-ken, Hamamatsu-shi, Naka-ku, Hayauma-cho 2-1, CREATE Hamamatsu, no 4º andar. A palestra tem a realização da Associação Brasileira de Hamamatsu, em conjunto com a HICE.
Fonte: Alternativa

terça-feira, 21 de abril de 2020

Coronavírus: Sem direito a home office, operários brasileiros no Japão temem contágio e desemprego

"A gente está desprotegido de todos os lados: é medo de pegar vírus, medo de ficar desempregado, medo de precisar voltar para o Brasil com uma mão na frente e outra atrás", diz brasileiro que trabalha em fábrica japonesa

 brasileiros no Japão

Nos primeiros dias de abril, três meses após o primeiro caso confirmado de covid-19 no Japão, Armando*, paulistano de 41 anos, ouviu pela primeira vez a palavra "corona" na fábrica onde trabalha, na província de Aichi.

"É hora de se cuidar para não atrapalhar a linha de produção", disse o supervisor japonês da unidade. "O ideal é ir de casa para a fábrica, da fábrica para a casa", orientou.

Depois, por volta do dia 9, Armando recebeu um folheto ilustrado com instruções para higienizar as mãos e usar máscaras na usina, que produz peças para mega montadoras japonesas como Toyota, Suzuki e Daihatsu. A fábrica não fornece máscaras aos operários, mas recentemente instalou um ponto de álcool spray na área dos vestiários. Até 17 de abril, o país registrou mais de 9 mil casos e 160 mortes (não há dados divididos por imigrantes e japoneses).

"Antes ninguém tocava no assunto. A fábrica estava a todo vapor, como se não estivesse acontecendo nada lá fora. Só agora o pessoal está acordando para a realidade da pandemia", diz Armando, um dos milhares de trabalhadores imigrantes de Aichi, que concentra o maior número de residentes brasileiros (52.919, segundo dados do Ministério da Justiça do Japão de 2018).

Além de brasileiros dekasseguis (descendentes de japoneses que migram para trabalhar temporariamente no país), a indústria japonesa emprega contingentes de chineses, coreanos, filipinos e vietnamitas.

Enquanto no Brasil se instaurou uma discussão sobre parar ou não a economia diante das diretrizes de isolamento, no Japão não foi imposta a quarentena. Em 25 de março, o presidente compartilhou no Twitter um vídeo de um brasileiro em um parque de Tóquio, destacando a "normalidade" da vida japonesa apesar do vírus, a fim de criticar a quarentena, que é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por autoridades de diversos países.

Estado de emergência
Em 24 de março, porém, após o adiamento da Olimpíada de Tóquio para 2021, o arquipélago registrou recordes de novos casos por dia, levando políticos, empresários e especialistas japoneses a pressionar por medidas mais rigorosas no combate à covid-19.

Em 7 de abril, o primeiro-ministro Shinzo Abe declarou estado de emergência, que inicialmente valia para sete das 47 províncias (Tóquio e Osaka, entre elas) e deveria durar até 6 de maio. Nove dias depois, Abe estendeu o estado de emergência para todo o país, estipulando uma meta de 80% de isolamento nas maiores cidades. Sob estado de emergência, bares, cassinos, cinemas, colégios, museus e parques de diversões podem ser suspensos temporariamente. Fábricas como a de Armando, por sua vez, devem continuar funcionando "até segunda ordem".

"Home office pra operário? Impossível. Quer quarentena? É por sua conta e risco: para quem é terceirizado e temporário como eu, se não bater ponto, desconta o dia; se reclamar, é demitido. A gente está desprotegido de todos os lados: é medo de pegar vírus, medo de ficar desempregado, medo de precisar voltar para o Brasil com uma mão na frente e outra atrás", define.

Nas fábricas japonesas, muitos imigrantes são terceirizados e temporários — o contrato, intermediado por empreiteiras e renovado por períodos de um a 3 meses, por exemplo, estipula pagamento por hora trabalhada (e não por dia ou por mês).

Teoricamente, trabalhadores japoneses e estrangeiros têm direitos iguais. Se na pandemia a demanda diminuir e a fábrica decidir desacelerar a produção, por exemplo, estrangeiros devem receber remuneração pelos dias parados (a depender do caso, o kyuugyou teate, benefício por descanso forçado, ou o yuukyuu kyuka, dia de férias remuneradas) e não podem ser sumariamente demitidos.

"Ainda que a administração da empresa esteja indo mal devido à infecção pelo novo coronavírus, não podemos admitir que os trabalhadores estrangeiros sejam tratados com desvantagem ante os japoneses", diz o informe, traduzido para 16 idiomas e publicado no site do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão. No dia 10, o ministério informou que pretende disponibilizar 40 conselheiros nas agências Hello Work, os centros de assistência de empregos, para dar orientações a estrangeiros que se sentirem prejudicados.

"Há muito tempo, o governo japonês tem a preocupação de garantir condições de trabalho igualitárias, não só entre estrangeiros e japoneses, mas entre efetivos e não-efetivos (terceirizados, temporários, meio-período etc.). Em caso de falta para ir ao médico, por exemplo, o empregador deve possibilitar o uso das férias remuneradas pelos terceirizados, que é o mesmo direito dos trabalhadores efetivos. Se o empregador não respeitar essa regra, o trabalhador deve denunciar o fato às autoridades", diz a advogada Vitória Pinhas, especialista em direito de imigração e transações internacionais, cujo escritório conta com advogados licenciados em países como Brasil, Estados Unidos e Japão.

Direitos trabalhistas

Direitos trabalhistas em xeque
Na internet se proliferam os posts de casos de desrespeito de direitos trabalhistas, mas sem identificar empresas e empreiteiras, pois muitos imigrantes temem represálias e não conseguir outros trabalhos.

"Todos os terceirizados de empreiteira estão na corda bamba. Mais de 100, antigos e novos de casa, jovens e velhos, foram demitidos do dia para a noite", postou Marina*, de Anjo. "Terceirizados receberam aviso prévio hoje (2 de abril). Isso que a montadora é correta e dá aviso prévio, a maioria não dá. Pensa que está ruim agora? Sabe de nada, inocente", escreveu Elisa*, de Nagoia.

O governo japonês divulgou iniciativas como auxílio de 300 mil ienes (cerca de R$ 15 mil) para famílias cuja renda foi afetada pela pandemia, sinalizou subsídio financeiro para pais que precisarem faltar ao trabalho para ficar com seus filhos (já que os colégios públicos tiveram aulas e atividades suspensas entre março e abril) e agora discute uma nova proposta de auxílio de 100 mil ienes (cerca de R$ 5 mil) por residente. Entretanto, é limitado o alcance das informações para imigrantes, principalmente devido à barreira do idioma.

Só depois das declarações de estado de emergência, autoridades intensificaram atendimento telefônico multilíngue para dúvidas relativas ao novo coronavírus para estrangeiros que estejam visitando ou vivendo no Japão, inclusive informações para testes. Tóquio, por exemplo, só lançou uma linha direta, disponível em 14 idiomas, em 17 de abril.

Falta de testes
Há tempos o governo japonês vem sendo criticado por não realizar testes numerosos desde o início do surto, na contracorrente da diretriz da OMS ("testem, testem, testem; testem todo caso suspeito", nas palavras de Tedros Adhanom, diretor da organização). No país, a capacidade de realizar testes saltou de 7,5 mil por dia, até fins de março, para 20 mil por dia, no início de abril. A partir daí, o total ultrapassou 100 mil exames do tipo PCR realizados.

Para Kentaro Iwata, diretor da divisão de doenças infecciosas da Universidade de Kobe, a estratégia de testar apenas focos de infecção foi bem-sucedida enquanto o número de casos positivos ainda era baixo. "A alta de casos em Tóquio e Osaka mudou a situação. Agora, o Japão precisa de mais testes", diz.

Entretanto, imigrantes com sintomas de covid-19 relatam dificuldades para conseguir realizar o exame. Foi o caso de Ana*, paulistana de 37 anos, há 8 no Japão, que está grávida de 8 meses.

Ana trabalha em uma empresa de tecnologia da informação de Tóquio. No fim de fevereiro, uma colega viajou de férias para o Havaí, voltou à empresa, teve febre por dois dias seguidos, foi afastada e voltou a trabalhar depois de dez dias. Em nenhum momento ela foi examinada, o prédio não foi dedetizado e empresa não fez comunicado oficial aos outros funcionários. "A partir de 16 de março, eu me senti mal e passei a medir a temperatura: 37,6 graus. No dia 17, 37,9 graus, e um cansaço anormal no corpo. Meu marido é japonês, domino o nihongo (a língua japonesa) e decidi ligar na linha direta para pedir informações e tentar marcar o teste", narra.

Ana foi instruída pela atendente a buscar a linha direta do centro de triagem de Yokohama, cerca de 30 km ao sul da capital, mas não conseguiu contato. Decidiu então procurar o consultório de sua obstetra, onde fez o único teste disponível, de influenza (H1N1), que deu negativo.

Orientada a esperar dois dias para acompanhar os sintomas, ela foi para casa e se isolou no quarto, sem contato com o marido. Nos dias seguintes, Ana sentiu fadiga, febre, falta de ar e tosse seca, voltou a ligar para o centro de triagem de Yokohama, que a encaminhou a outro número.

"A todo momento, uma voz dizia que o telefonema estava sendo gravado, mas precisei contar a história inteira diversas vezes. O que mais me chocou foi o tom das perguntas, distorcendo o que eu estava dizendo. Eu descrevia os sintomas e, do outro lado, a atendente dizia 'mas a febre está constante todos os dias, o tempo todo?, mas a dor no peito não necessariamente é por causa da falta de ar, né?', tentando direcionar para uma situação que não dá suspeita. Tive de bater o pé: não, não foi isso o que eu disse, a ligação está sendo gravada, pode conferir".

Ao fim, Ana recebeu outro número para ligar, com a promessa de conseguir marcar o teste "se passasse" pela triagem. Quarenta minutos depois na nova ligação, foi orientada a ficar mais dez dias esperando a evolução dos sintomas em casa. "No dia 23, a febre abaixou e consegui respirar melhor, mas com um chiado que nunca tive no peito. Ouvir, do outro lado da linha, 'você não é caso de internação, você ainda está conseguindo conversar' é desesperador. O pior é ficar sem saber", relata, com voz ofegante.

No dia 25 de março, Ana precisou voltar ao trabalho, pressionada pelos chefes por não ter atestado ou laudo médico para apresentar, já que não foi sequer testada e "só ficou em casa". "Os dias que eu faltei vão ser descontados; não tem teletrabalho, não tem home office. Eu não deveria sair de casa, pegar trem, ir ao escritório, expor o risco do vírus aos outros, mas fui forçada a trabalhar nos dias 26 e 27. Depois, decidi não me arriscar mais e pressionei para conseguir antecipar a licença maternidade."

trabalhadores estrangeiros no Japão

Com os filhos em casa
Eduarda*, paulistana de 32 anos, há 10 meses no Japão, enfrenta outro tipo de dificuldades. Mãe de um menino de 6 anos e uma menina de 7, ela não pode deixar os filhos desacompanhados em casa — os garotos estão matriculados em um colégio particular para filhos de imigrantes, onde as aulas foram suspensas entre 9 e 20 de março e, após a declaração de estado de emergência, a partir de 10 de abril indefinidamente.

"O governo tinha divulgado ajuda para mães, mas não especificava colégios de crianças brasileiras. Tirei metade dos dias de férias remuneradas a que tinha direito em março para ficar com as crianças e a partir de agora, em abril, não sei como vou continuar cuidando deles e trabalhando na fábrica ao mesmo tempo. Não vou ter dinheiro no mês que vem", diz Eduarda, de Toyoashi.

"Fui na empreiteira para pedir informações, pois infelizmente a gente, imigrante, fica preso a eles. Mas eles disseram que não sabem simplesmente de nada, que é tudo vago, que é esperar pra ver. Enquanto isso, a gente faz das tripas coração pra pagar as contas", define.

Toyota, Suzuki & cia.
Além do medo de ficar doente (como Armando), não conseguir ser examinado (como Ana) ou de precisar escolher entre cuidar dos filhos ou trabalhar (como Eduarda), brasileiros temem o desemprego durante a crise do coronavírus, diante de casos recentemente revelados nas fábricas japonesas.

Em fins de março, uma unidade da Toyota, uma das maiores montadoras do país, registrou dois casos de coronavírus— além dos diagnosticados, dois funcionários na casa dos 20 anos, foram afastados 33 operários que tinham contato constante com eles em um galpão de Takaoka, na cidade de Toyota (Aichi); a unidade foi fechada por três dias (de 23 a 25 de março) para ser desinfetada. Segundo a NHK, a agência pública do Japão, outro funcionário, na faixa de 30-39 anos, foi diagnosticado na unidade de Miyata, na cidade de Miyawaka (Fukuoka). A identidade deles não foi divulgada.

Diversas fábricas da Toyota paralisaram atividades por períodos breves neste mês. Nos últimos dias, outros titãs da indústria automotiva suspenderam a produção no território japonês: subsidiárias e unidades da Suzuki pararam; instalações da Honda, Nissan, Mazda e Mitsubishi, idem.

Honda e Nissan inclusive sinalizaram demissões de 10 mil funcionários cada, nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, de acordo com a consultoria Bright Consulting, focada no setor automotivo, as paradas de produção atingem cerca de 370 mil funcionários de montadoras e fornecedoras de autopeças, um prejuízo de até R$ 42 bilhões em 2020.

"O bem-estar do trabalhador é a última das preocupações. As fábricas japonesas estão parando por falta de peças ou de pedidos", diz Armando, que ganha 1.300 ienes por hora (cerca R$ 63). Em março, o operário fez jornadas de 11 horas de segunda a sexta e trabalhou quase todos os sábados. Em abril, passou a trabalhar cerca de 6 horas por dia. "Quer dizer, menos horas, menos dinheiro no fim do mês."

No dia 10, Akio Toyoda, presidente-executivo da Toyota e diretor da Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis, declarou que a indústria automotiva japonesa buscará proteger empregos no mundo todo. Toyoda comparou o atual contexto incerto e a necessidade de ficar em casa como "um longo inverno". "Agora estamos sentindo mais do que nunca que poder ir aonde você quer é uma experiência emocionante verdadeiramente. Vamos sobreviver, ou então não haverá primavera."

*Nomes fictícios para preservar identidades dos imigrantes;

**Fontes de informações para brasileiros residentes no Japão:

  • Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar
  • Centro de Apoio para Residentes Estrangeiros de Tóquio: 0120-296-004 (seg. a sex., 10:00 - 17:00)
  • Centro de Informação Médica da Ásia: 03-6233-9266 (atendimento em português às sextas, 10:00 - 15:00)
  • Centro de Aconselhamento para Trabalhadores Estrangeiros: 0570-001703 (atendimento em português de seg. a sex., 10:00 - 15:00)
Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, 20 de julho de 2018

O que o consulado pode e não pode fazer pelo brasileiro preso no Japão

Órgão pode ajudar em uma série de situações, mas não pode em muitas outras

Consulado do Brasil no Japão

Você sabia que o Consulado do Brasil pode ser acionado para o acompanhamento de casos de detenção de cidadãos brasileiros no Japão? O órgão pode ajudar a este cidadão em uma série de situações, mas não pode em muitas outras. O Consulado publicou em sua página no Facebook uma lista de situações em que pode e não pode ajudar.

Com base no que está publicado no site do Consulado, logo que um brasileiro é detido, nas 72 horas seguintes este recebe um formulário (inclusive em português) no qual é indagado se deseja comunicar sua detenção ao Consulado.

Em caso afirmativo, as autoridades tomam providências. Em caso negativo, será garantido o direito à privacidade. Há casos em que o detido prefere avisar ao órgão por meio de um advogado. Segundo o Consulado, quase cem por cento dos brasileiros usam os serviços de advogados dativos, ou seja, custeados pelo governo.

A partir daí, o cidadão passará de indiciado à condição de réu, sendo transferido para a Casa de Detenção (kouchisho), onde continuarão as fases de julgamento por um Tribunal Sumário, ou Regional, dependendo da gravidade do delito, até que seja decretada a sentença.

Há a possibilidade de recurso junto ao Tribunal Superior, que quase nunca resulta em redução substancial da pena. Se o detido assim o fizer, será transferido para uma Casa de Detenção em uma das cidades que sediam tribunais superiores (koutousaibansho), existentes em Tóquio, Sendai (Iwate) e Sapporo (Hokkaido). Como há maior concentração da comunidade brasileira em relação à capital japonesa, os recursos desta natureza vão para o Tribunal Superior de Tóquio.

Quando sai a sentença definitiva, o preso é transferido para uma penitenciária em qualquer lugar do país. A espera por uma vaga pode durar alguns meses.

Semestralmente o Consulado de Nagoia, por exemplo, faz visitas às instituições que concentram grande número de brasileiros. Mas a decisão de comparecer a esta entrevista consular é do preso. O objetivo da visita é verificar se o cidadão brasileiro está recebendo na instituição os direitos básicos de um prisioneiro e se não está recebendo tratamento discriminatório em razão de sua nacionalidade.

O Consulado lembra que o sistema prisional japonês é rigoroso em muitos aspectos, censurando correspondência e publicações aos internos, tendo regulamentos disciplinares rígidos e dieta restrita.

Os menores de 20 anos de idade são encaminhados, em sua maioria, para Reformatórios ou Escolas de Disciplina de Menores, para internações que variam de 1 a 2 anos. Mas no caso de delito grave, como homicídio, assalto, os maiores de 18 anos podem receber tratamento similar ao dado aos maiores de 20 anos, com sentença estando numa faixa que será definida em função de seu comportamento na penitenciária.

O que o Consulado pode fazer pelo cidadão preso:
- Localização de familiares e auxílio para contato;

- Gestão junto à direção da instituição em caso de dificuldade para obtenção de tratamento médico ou odontológico;

- Verificação, por observação e declarações pessoais, do estado de saúde físico e psíquico do interno;

- Esclarecimento de dúvidas que venham a surgir em decorrência do conhecimento insuficiente do idioma japonês ou dos costumes locais;

- Oferecimento, sempre que possível, de publicações em idioma português, para leitura individual ou para ser colocada à disposição na biblioteca da instituição;

- Ajuda financeira em pequenos montantes (por exemplo, para compra de selos postais) enquanto a remuneração do interno na instituição não for suficiente e a família não puder provê-la;

- Orientação para o bom entendimento dos regulamentos internos com vistas à minimização de atritos, o que certamente tornará mais fácil o cumprimento da sentença e favorecerá a antecipação da libertação condicional;

- Orientação sobre os procedimentos por ocasião da transferência para a Imigração, provável deportação e reentrada no Brasil.

O que o Consulado não pode fazer pelo cidadão preso:
- Atuar como defensor;

- Contratar serviços de advogado. O governo japonês oferece serviços de advogado dativo e impõe severa limitação à atuação de advogados estrangeiros no país. Atualmente, apenas um advogado que se expressa em língua portuguesa atua no Japão e, ainda assim, em diversas situações necessitam se fazer acompanhar de um advogado japonês, o que onera ainda mais o cliente.

- Intervir para redução de sentenças ou libertação antecipada;

- Ajuda financeira para manutenção;

- Questionar regulamentos internos das instituições;

- Acionar órgãos japoneses, ou indivíduos, com o intuito de possibilitar a permanência do preso no Japão após a libertação, seja ela condicional ou definitiva;

- Solicitar dispensa do cumprimento de sentenças ou punições a que esteja sujeito no local onde está internado.
Fonte: Alternativa com Consulado do Brasil em Nagoia

terça-feira, 29 de maio de 2018

Japão emitiu quase 6 milhões de vistos

O governo divulgou o número total de vistos emitidos durante o ano de 2017
Quase 6 milhões de vistos emitidos em 2017 pelo Japão

O Japão é um dos países da Ásia mais procurados como destino de viagem. Segundo a Organização Nacional de Turismo do Japão-JNTO foram quase 29 milhões de turistas em 2017.

O número exato fornecido pela entidade é de 28,69 milhões, com esforços em conjunto, do governo, companhias aéreas e de turismo. Mas, sobretudo do relaxamento para emissão de vistos, no ano passado. Contribuem para aumentar cada vez mais o número de turistas estrangeiros, inúmeros esforços na hospitalidade, ampliação das rotas aéreas, entre outros.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério das Relações Exteriores-MOFA nesta terça-feira (29), foram emitidos 5.869.012 vistos no ano passado. Foi um registro histórico para o país.

emissões de vistos

Os países que mais receberam vistos foram China, Filipinas, Indonésia e Vietnã. Os chineses representam 77% dessas emissões, com mais de 4,5 milhões de vistos. Desses, 3,93 milhões foram de turismo.

Já a soma das pessoas que solicitaram visto, dos 4 países, representa 90% do total.


Para os brasileiros foram 50.885 emissões, o que significa apenas 1% do total.

Vistos para o Brasil apenas 1%

O ministério informa também que o Japão isenta o visto de curta duração para os cidadãos de 68 países.

Os números apresentados por esse ministério podem ser diferentes do anunciado pelo Ministério da Justiça, alerta.
Fonte: Portal Mie com divulgação MOFA

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Empresário japonês defende nikkeis como mão de obra altamente qualificada

O presidente do conselho da Mitsui Bussan defende a aceitação dos nikkeis no Japão e fala também sobre o visto do yonsei
O presidente do conselho da Mitsui Bussan defende a aceitação dos nikkeis no Japão e fala também sobre o visto do yonsei
Masami Iijima, foi o 11º presidente e é o atual presidente do conselho da gigantesca Mitsui Bussan, uma das maiores do Japão. Em entrevista publicada pelo jornal econômico Nihon Keizai, ele defende a aceitação dos nikkeis como mão de obra altamente qualificada.

Na matéria publicada nesta quarta-feira (18), ele abre fazendo uma explicação. A América Latina é distante do Japão, mas as empresas japonesas de comércio exterior e investimentos, estão em posição de vantagem em comparação com as de outros países. Existem cerca de 2,1 milhões de descendentes de japoneses nessa área, dos quais 1,9 milhão vivem no Brasil.

“Como membro da reunião de especialistas do Ministério das Relações Exteriores, participei da elaboração de recomendações sobre a colaboração com a sociedade nikkei. Na minha visão, em algum momento, no lugar de apoiar os nikkeis, o Japão esteve numa posição ‘do lado de dar’.  O apoio subsequente é certamente necessário, mas, a partir de agora, as empresas japonesas estarão cada vez mais dispostas a receber a colaboração dos nikkeis. Do ponto de vista da igualdade, é indispensável cooperar com a sociedade nikkei”, explicou.

“Quando o primeiro-ministro Shinzo Abe visitou o Brasil em 2014, falou com pessoas usando a palavra ‘juntos’ em português ou 共に (tomoni) em japonês. A colaboração com os nikkeis é essencial para que o Japão estabeleça relações estreitas com os países das Américas Central e do Sul. E é importante apontar para uma relação win-win”, relembrou.

Visto de permanência para o yonsei
O governo japonês analisa na direção do aumento da empregabilidade do nikkei de quarta geração ou yonsei. Apesar de ser um assunto positivo, há necessidade da aceitação dos nikkeis como recursos humanos altamente qualificados e não simplesmente para ‘preencher a falta de mão de obra’, analisa o empresário.

“Para potencializar essa força de trabalho, como organização empresarial, não pensar em aceitá-los somente como funcionários locais (no Brasil) e sim, pensar no caminho de contratação pela matriz japonesa. Se eles possuem raízes japonesas e com facilidade para criar afinidades com o Japão, não há porque não empregá-los. Deveríamos aumentar ativamente o recrutamento dos nikkeis”, pontuou.

Valorização dos nikkeis
Iijima prossegue com sua explicação. “Quando se fala em nikkeis, hoje se vê aumento dos de quarta e quinta gerações (yonsei e gosei). Para essas pessoas, é importante introduzir atividades para a compreensão do que é o Japão. É preciso usar os recursos como bolsas de estudo e programas de treinamento para convidá-los a virem ao Japão. Para isso é necessário ter espírito de cooperação, como preparar materiais didáticos em português”, analisa.

Sob seu ponto de vista, “nos últimos anos, a economia brasileira entrou em queda devido ao enfraquecimento dos recursos e da turbulência política. Assim, os investimentos e comércio exterior do Japão caíram repentinamente. No entanto, o Brasil ainda é o maior país da América do Sul e há muitas áreas em que as empresas japonesas podem cooperar, nos setores como o da agricultura, recursos, infraestrutura e indústria.”

“Atualmente, o Keidanren procura expandir o intercâmbio econômico entre os dois países através do Comitê Econômico Brasileiro no Japão. Mas, paralelamente, o intercâmbio de recursos humanos também deve ser aumentado e, nesse sentido, acredito que os nikkeis possam cumprir um papel importante”, finalizou.
Fonte: Portal Mie com Nihon Keizai Shimbun

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Temer pede ao Japão fim da exigência de visto para brasileiros que visitam o país

"Meta é estreitar laços históricos e aprofundar parcerias", disse o presidente
Michel Temer e Shinzo Abe em Tóquio

O presidente Michel Temer afirmou na terça-feira (18), em Tóquio, que leva uma mensagem de “recomeço do nosso País” ao imperador japonês, Akihito, ao primeiro-ministro Shinzo Abe e aos empresários orientais com quem se encontrará nesta quarta-feira durante visita oficial ao país asiático.

Em entrevista a jornalistas brasileiros que acompanham a viagem ao Japão, Michel Temer destacou que a meta é estreitar os laços históricos e aprofundar a parceria entre os dois países. “Nós queremos trazer a ideia da parceria Brasil-Japão. Não apenas levar novos investimentos japoneses para o Brasil, como também ampliar os investimentos japoneses que lá já se verificam.”

Temer anunciou também que vai discutir com Abe a possibilidade de o governo japonês flexibilizar ou acabar com a exigência de vistos para os brasileiros que visitam o país.

Para intensificar essas relações, o presidente e a comitiva de ministros que o acompanham vão apresentar a autoridades e empresários japoneses o Programa de Parceria de Investimentos (PPI). Temer lembrou que são 34 projetos nas áreas de portos, aeroportos, ferrovias, rodovias e óleo e gás que serão concedidos à iniciativa privada.

Durante a entrevista, o presidente chamou a atenção para o novo modelo de concessões, que garante atratividade e segurança aos investidores estrangeiros. “Vamos trazer também a notícia de que nós teremos absoluta segurança jurídica em todos os contratos que se estabelecerem no nosso País.”

Temer reiterou que a palavra-chave e símbolo do governo é diálogo, seja com o Congresso Nacional ou com outros setores da sociedade brasileira. Na avaliação do presidente, essa forma de governar já gera resultados para o Brasil, como a recente aprovação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda Constitucional que estabelece um teto para os gastos públicos.

“Porque nós já conseguimos aprovar muita coisa no Congresso Nacional, ao longo desses meses, inclusive uma questão mais complicada, como a questão do teto dos gastos públicos, que foi aprovada por grande maioria. Portanto, revelando, por meio do diálogo, uma grande interação do governo, do Executivo, com o Legislativo.
Fonte: Alternativa

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Entrada de brasileiros no Japão superam as saídas pela 1ª vez em abril desde a crise de 2008

Entraram no país 6.323 brasileiros, enquanto outros 6.042 deixaram o arquipélago

brasileiros no Japão

Pela primeira vez desde a crise econômica provocada pela falência do banco de investimentos Lehman Brothers, o número de entradas de brasileiros no Japão superou o número de saídas no mês de abril.

No quarto mês deste ano, entraram no país 6.323 brasileiros, enquanto outros 6.042 deixaram o arquipélago.

A última vez que abril registrou um número maior de entrada que de saídas de brasileiros foi em abril de 2007, ou seja, nove anos atrás. Na ocasião, 7.523 brasileiros entraram no Japão, contra 6.782 que deixaram o país.

Os dados divulgados nesta sexta-feira (24) pelo Ministério da Justiça chamam atenção devido ao fato do mês de abril, desde 2008, apresentar sempre um número maior de saídas de brasileiros do país do que de entradas.

Com o encerramento do ano fiscal japonês, que ocorre anualmente em março, muitos brasileiros têm seu contrato de trabalho encerrado e optam por retornar à terra natal no mês seguinte.

Outro dado importante é que 2016 também é o primeiro ano, desde 2007, que os quatro primeiros meses somados resultam em saldo positivo de entrada de brasileiros. De janeiro a abril deste ano ocorreram 23.770 entradas contra 18.594 saídas de brasileiros. O saldo é de 5.176 brasileiros a mais residindo em todo o Japão.

Se os próximos meses apresentarem dados de entradas e saídas semelhantes aos de janeiro, fevereiro, março e abril, o ano pode fechar com uma maior presença da comunidade no país.

Entradas e saídas de brasileiros em abril ano a ano:
2007 - 7.523 entradas e 6.782 saídas
2008 - 6.699 entradas e 7.227 saídas
2009 - 2.879 entradas e 9.537 saídas
2010 - 4.145 entradas e 5.920 saídas
2011 - 2.740 entradas e 6.552 saídas
2012 - 4.703 entradas e 5.118 saídas
2013 - 4.654 entradas e 5.579 saídas
2014 - 6.040 entradas e 6.638 saídas
2015 - 6.408 entradas e 7.218 saídas
2016 - 6.323 entradas e 6.042 saídas
Fonte: Alternativa