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segunda-feira, 13 de março de 2023

Pacientes terão que arcar com custos de tratamento após rebaixamento do status da Covid

Atualmente no Japão, a covid-19 é designada como categoria especial equivalente a ou mais restrita do que a classe 2, a qual cobre doenças infecciosas como tuberculose e SARS

status da covid
Pacientes infectados pelo coronavírus, em geral, serão solicitados a arcarem com suas próprias despesas médicas após o status legal da covid-19 for rebaixado para a mesma categoria de doenças infecciosas comuns em 8 de maio, disse na sexta-feira (10) o governo japonês.

Sob a reclassificação da covid-19 para a classe 5 de doenças como a influenza sazonal, o governo também visará aumentar em 50% o número de instituições médicas que oferecem tratamentos ambulatoriais relacionados ao coronavírus, enquanto medicamentos caros serão subsidiados até o fim de setembro.

Atualmente no Japão, a covid-19 é designada como categoria especial equivalente a ou mais restrita do que a classe 2, a qual cobre doenças infecciosas como tuberculose e síndrome respiratória aguda severa (SARS), sob a lei.

Com exceção de taxas iniciais de consulta, atualmente, os pacientes não são cobrados por cuidados ambulatoriais ou hospitalização.

O governo também continuará a subsidiar medicamentos caros como o molnupiravir, que custa cerca de ¥100 mil por paciente ambulatorial, embora pacientes sejam solicitados a pagarem por tratamentos em geral como antipiréticos e testes.

O número de instituições médicas que aceita pacientes ambulatoriais com febre aumentará de 42 mil para cerca de 64 mil ao utilizar departamentos de medicina interna e pediatria que tratam influenza sazonal.

Pacientes que precisarem de cuidados mais intensivos serão hospitalizados em uma das 5 mil instituições médicas que trataram infectados pela Covid no passado, com planos de aumentar o número para 8 mil no futuro.

A coordenação de hospitalizações que era administrada pelo governo será gradualmente transferida a instituições médicas, com governos provinciais esboçando um plano de transição até o fim de abril.
Fonte: Portal Mie com Mainichi

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Aumenta o número de falências entre abril e setembro no Japão

Das 47 províncias, 29 delas registraram aumento neste tipo de situação, como é o caso de Hokkaido e Quioto

empresas no Japão
O Japão registrou 3.141 falências corporativas entre abril e setembro deste ano, representando um aumento de 6,9% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo uma pesquisa da Tokyo Shoko Research, publicou a Kyodo News.  

O aumento, o primeiro em três anos, foi atribuído às dificuldades que as empresas enfrentaram em reembolsar a ajuda financeira que receberam do governo em resposta à pandemia de COVID-19.

A Tokyo Shoko Research disse que está observando casos crescentes desde agosto de falências decorrentes dos altos preços das matérias-primas, provocados pela queda do iene em relação ao dólar americano. 

O passivo total deixado pelas empresas falidas no período também cresceu, chegando a 1,74 trilhão de ienes em seis meses. O valor recebeu um forte impulso da Marelli Holdings Co., grande fabricante de autopeças que entrou com pedido de ajuda financeira em junho. 

Por setor, o de transporte registrou mais casos, um total de 162 falências, ou um aumento de 42,1/%, impulsionado pela alta do preço dos combustíveis. 

Já o setor imobiliário teve 104 casos, uma queda de 5,4%, o menor número em 30 anos. 

Entre as 47 províncias, 29 delas, incluindo Hokkaido e Quioto, registraram os maiores números de falências, enquanto outras 16, como Osaka e Hiroshima, observaram uma redução. Shizuoka e Nagasaki apresentaram uma situação estável. 

Somente em setembro, o número de falências no país aumentou 18,6% em relação ao ano anterior, para 599, segundo a empresa de pesquisa. O valor total do passivo foi de 144,87 bilhões de ienes.
Fonte: Alternativa

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Apenas 8 mil turistas estrangeiros visitaram o Japão em junho e julho

O país recebia mais de 30 milhões de turistas estrangeiros anualmente antes da pandemia

turistas estrangeiros
De acordo com a Agência de Serviços de Imigração, apenas 8 mil turistas estrangeiros visitaram o país em junho e julho.

O arquipélago relaxou seus controles de fronteira anticoronavírus e reabriu para turistas internacionais em 10 de junho pela primeira vez em cerca de 2 anos.

Turistas de 102 países e territórios incluindo EUA, Coreia do Sul e China podem entrar no Japão, mas apenas em grupos de excursão.

Segundo a agência, 252 turistas estrangeiros vieram ao Japão em junho e 7,9 mil em julho.

Autoridades dizem que a razão para o baixo número de turistas estrangeiros é que a China ainda restringe viagens ao exterior pelos seus cidadãos.

Elas também citam o processo demorado necessário para viajar ao Japão, visto que todos os turistas precisam obter visto e apresentar resultado negativo de teste PCR.

Embora o país esteja no meio da 7ª onda de infecções por coronavírus, a indústria do turismo está esperando que um iene mais fraco encoraje mais turistas estrangeiros a visitarem o Japão.

O país recebia mais de 30 milhões de turistas estrangeiros anualmente antes da pandemia.
Fonte: Portal Mie com NHK

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Japão emitiu o menor número de vistos em 2021 devido à pandemia

Do total de vistos concedidos em 2021, o Vietnã contou pela maioria

Japão visto
O Japão emitiu 90.306 vistos a cidadãos estrangeiros em 2021, marcando o menor número desde 1999, quando dados comparáveis começaram a ser disponibilizados, devido a restrições de viagem relacionadas à pandemia, disse na terça-feira (31) o Ministério da Justiça.

O número, queda de uma alta recorde de 8.28 milhões no ano pré-pandemia de 2019, superou a baixa recorde anterior de 1.12 milhão no ano de 2020 em 92%, disse o ministério, enquanto a propagação global do coronavírus levou o governo a intensificar as restrições de fronteira sobre chegadas do exterior.

Do total de vistos concedidos em 2021, o Vietnã contou pela maioria, a 15.434, ou 17%, seguido pela China com 12.768, ou 14%.

Os EUA, enquanto isso, contaram por 9,2 mil vistos emitidos, ou 10%. As Filipinas e a Coreia do Sul ficaram com 5.406 e 4.671, ou 6 e 5 por cento, respectivamente.

O Japão começou a relaxar de forma gradual suas restrições de fronteira para colocá-las em linha com as de outras nações do G7 após fechar efetivamente suas portas para estrangeiros não residentes a fim de prevenir um aumento nas infecções por covid-19.
Fonte: Portal Mie com Mainichi

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Japão: governo considera reduzir o tempo de quarentena dos passageiros

Atualmente são 14 dias de quarentena em casa ou em hotel, para os passageiros que chegam do exterior, mas isso pode mudar

quarentena
Como parte das medidas de fronteira em relação à infecção pelo novo coronavírus, o governo exige que todos os passageiros que chegam do exterior cumpram quarentena de 14 dias em casa ou no hotel.   

Na quarta-feira (8) o governo afirmou que é necessário normalizar gradativamente as atividades socioeconômicas à medida que a vacinação avança em todo o mundo. Um dos assuntos em pauta é o encurtamento dessa quarentena, de 14 para 10 dias.

Mas, deverá estabelecer a condição de apresentar comprovante de vacinação de uma das 3: Pfizer, Moderna ou AstraZeneca.

O governo pensa em implementar essa nova condição a partir do final do mês. 
Fonte: Portal Mie com NHK 

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Japão vai imunizar até novembro todos as pessoas que desejam tomar vacina, diz Suga

O premiê afirmou que mais de 98% das cidades pretendem terminar de vacinar os idosos até o final de julho

vacina contra Covid-19
O Japão planeja terminar de imunizar todos os cidadãos que desejam tomar a vacina contra Covid-19 até novembro, disse o primeiro-ministro Yoshihide Suga durante um debate entre líderes partidários nesta quarta-feira (9).

Menos de 50 dias antes do início das Olimpíadas de Tóquio, o Japão vacinou cerca de 11% de sua população com pelo menos uma dose, uma campanha lenta em comparação com outros países avançados.

O Japão está vacinando profissionais de saúde e idosos com 65 ou mais por enquanto, mas algumas pequenas cidades e vilas já começaram a imunizar moradores com menos de 65 anos.

Suga disse que mais de 98% das cidades japonesas pretendem terminar de vacinar os idosos até o final de julho.

A partir do dia 21 deste mês, grandes empresas começarão a imunizar seus funcionários no próprio local de trabalho.
Fonte: Alternativa com Reuters

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Japão planeja gastar ¥500 bilhões para ajudar empresas afetadas pelo 3º estado de emergência

O país declarou emergência até 11 de maio para combater uma quarta onda de infecções

ajudar empresas
O governo do Japão planeja gastar ¥500 bilhões (US$ 4,59 bilhões) em reservas para ajudar empresas atingidas pelas restrições adotadas durante o terceiro estado de emergência que começou a vigorar no último domingo em Tóquio, Osaka, Hyogo e Quioto, informou a agência de notícias Kyodo nesta quarta-feira (28).

O Gabinete deve aprovar os gastos na sexta-feira (30), acrescentou a Kyodo, sem citar fontes.

O Japão declarou estado de emergência até 11 de maio para combater uma quarta onda de infecções por variantes do coronavírus, mas as medidas poderão ser prolongadas se os casos de Covid-19 não diminuírem nesse período.

Nas províncias onde o estado de emergência está vigorando, muitos estabelecimentos não estão funcionando, incluindo shopping centers, lojas de departamento, cinemas e restaurantes que servem bebidas alcoólicas.
Fonte: Alternativa com Reuters

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Monitoramento do vírus mutante e My Number para vacinação

O governo passou instruções para monitoramento em todo país sobre a variante do coronavírus e outras medidas urgentes

videoconferência com 7 governadores
Na terça-feira (19), em videoconferência com governadores de 7 províncias o Primeiro-Ministro, Yoshihide Suga, discutiu 3 assuntos importantes em pauta.

Depois de tomar conhecimento de que há alta possibilidade da infecção da variante do coronavírus dentro da província de Shizuoka, disse que fará um esforço conjunto com as prefeituras para verificar a rota e fazer monitoramento. 

Variante do coronavírus e mais leitos
O Japão está vulnerável com esse vírus mutante desde que foi confirmada infecção pela variante britânica, na segunda-feira (18), em Shizuoka, em 3 pessoas. A mulher na faixa dos 20 anos não saiu da província desde o mês passado. Outra mulher, na faixa dos 40 anos e o homem na faixa dos 60, são pessoas com as quais teve contato próximo, e tiveram resultado positivo para essa variante do coronavírus. 

O outro assunto foi em relação à preocupação dos elevados números de novos casos de infecção. No dia em que foram confirmados mais de 100 óbitos, governo afirmou que a situação continua imprevisível. Solicitou aos governos locais medidas completas para frear a infecção entre os jovens.

Também disse que trabalhará para assegurar leitos para os pacientes em tratamento da Covid-19.

Vacinação e My Number
A vacinação em larga escala tem um calendário que prioriza as equipes médicas.  

  • 2.ª quinzena de fevereiro: cerca de 10 mil profissionais da saúde
  • Início a meados de março: cerca de 3 milhões de pessoas, incluindo profissionais da saúde
  • 2.ª quinzena de março: 36 milhões de idosos, com idade acima de 65 anos
  • abril: pessoas com doença subjacente
  • maio (previsão): população em geral, com idade superior a 16 anos

Takuya Hirai, ministro responsável pela revolução tecnológica, quer gerenciar o sistema de vacinação para a população através do uso do My Number. O assunto ainda está em discussão, embora defenda a importância do país gerenciar esses dados, especialmente se surgirem casos de efeitos colaterais. E afirmou que o sistema está preparado para isso, mas enfrenta opiniões contrárias.
Fonte: Portal Mie com NHK e IT Media

sábado, 9 de janeiro de 2021

Japão exigirá apresentação de teste de Covid-19 de todos que entrarem no país

Todas as pessoas que entrarem no Japão deverão apresentar resultados negativos de teste de Covid-19

Todos que entrarem no Japão terão que apresentar resultado negativo de teste de coronavírus
O Japão reforçará ainda mais seus controles de fronteira a partir deste sábado (9) ao exigir que todas as pessoas entrando no país apresentem resultados negativos de testes de coronavírus, feitos dentro de 72 horas de suas partidas para o arquipélago, durante o período do mais recente estado de emergência.

A medida será aplicada àqueles entrando no Japão a partir de quarta-feira (13) e estará em vigor até o estado de emergência que foi declarado em 7 de janeiro ser suspenso, disse o Ministério de Relações Exteriores. O governo disse que a declaração de emergência segue até 7 de fevereiro.

Empresários e estudantes de Taiwan de 10 nações asiáticas incluindo a China continental e Coreia do Sul atualmente têm permissão para entrar sob um esquema especial destinado a flexibilizar restrições de viagem.

Aqueles de regiões que não sejam das 152 nações sujeitas a uma proibição de entrada também podem entrar no Japão no momento.

Mas sob o mais recente esquema, essas pessoas também precisarão entregar resultado negativo de teste de vírus feito dentro de 72 horas de suas partidas e fazer outro na chegada ao Japão, disse o ministério.

A nova regra ocorre após o Japão ter introduzido medidas mais rigorosas no fim de dezembro para novas entradas de estrangeiros de todo o mundo que vêm a negócios e estudo, em resposta à detecção de novas variantes do coronavírus anunciadas no Reino Unido.
Fonte: Portal Mie com Japan Today

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Saiba onde esclarecer dúvidas sobre Covid-19 em português no Japão

Site do governo tem uma lista por província de locais que fazem atendimento em vários idiomas

informações sobre Covid-19
O Ministério da Saúde do Japão disponibilizou um site em português e em outros idiomas com informações sobre Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em meio ao aumento de infecções no país.

O site tem uma lista por província de locais que fazem atendimento em português (PT) para esclarecer dúvidas e buscar ajuda em caso de aparecimento de sintomas da doença, como febre, cansaço ou falta de ar.

Para saber os locais de atendimento em português por província, clique aqui.

Para obter informações gerais sobre Covid-19 em português, clique aqui.

site em português

Fonte: Alternativa

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Japão vai facilitar entrada de estrangeiros em viagens de negócios de até 3 dias

 O país está tentando reabrir gradualmente suas fronteiras em meio à pandemia

Entrada de estrangeiros no Japão
O Japão reduzirá as restrições de entrada de viajantes a negócios para estadias de até três dias em uma tentativa de reativar a atividade econômica após a paralisação das visitas do exterior devido à pandemia de Covid-19, informou o jornal Yomiuri nesta quinta-feira (22).

O governo está planejando relaxar as restrições para pessoas de 30 países e regiões com as quais o Japão tem fortes laços comerciais, incluindo China, Coreia do Sul e Taiwan, disse o Yomiuri, citando fontes governamentais não identificadas.

O plano entrará em vigor no próximo mês, disse o jornal.

O Japão está tentando reabrir gradualmente suas fronteiras para visitantes do exterior, começando com viagens de negócios, depois de impor algumas das restrições de entrada mais rígidas do mundo para conter a disseminação do coronavírus.

O Japão concordou com 10 países e regiões para permitir a entrada de portadores de visto de longo prazo e outros três para estadias de curta duração de cerca de um mês. Esses são todos acordos recíprocos, mas o plano mais recente envolve apenas a decisão do Japão, disse o Yomiuri.

Segundo o plano, os viajantes a negócios serão obrigados a fazer um teste de coronavírus, evitar o transporte público e apresentar um itinerário de suas atividades durante a estadia.

Eles não serão obrigados a ficar em quarentena em seus hotéis, disse o jornal.
Fonte: Alternativa com Reuters 

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Japão mantém avaliação econômica em setembro com recuperação em curso

 O governo disse que a economia japonesa ainda está em uma situação severa devido à Covid-19, mas vem mostrando movimentos de melhora recentemente

economia japonesa
O governo manteve sua avaliação econômica em setembro, divulgada na quinta-feira (24), inalterada pelo 3º mês consecutivo, dizendo que a atividade continuava a mostrar sinais de “melhora” da queda causada pelo novo coronavírus.

“A economia japonesa ainda está em uma situação severa devido ao novo coronavírus”, mas vem “mostrando movimentos de melhora recentemente”, disse, repetindo as palavras usadas nas avaliações de julho e agosto.

O governo rebaixou suas avaliações do consumo privado pela primeira vez desde abril, quando ele declarou estado de emergência por causa da propagação do vírus.

De acordo com o relatório, o consumo privado estava “melhorando”, a mesma expressão usada em agosto, mas acrescentou que “fraqueza pode ser vista em alguns setores”.

Um oficial do governo disse que uma “paralisação” foi vista nos gastos do consumidor, principalmente em serviços de viagem e alimentação, após um ressurgimento nas infecções pelo coronavírus.

Mas o oficial disse que a tendência de recuperação continuou, com uma grande reviravolta do turismo durante o feriado de 4 dias da Silver Week até a terça-feira (22) sendo o exemplo mais recente de recuperação de atividades econômicas.

Dentro os outros 10 itens importantes avaliados, investimentos em negócios também foi rebaixado, enquanto quatro componentes incluindo exportações e produção industrial foram elevados.

Segundo o relatório, os investimentos em negócios estavam “mostrando fraqueza”, enquanto as exportações estavam “melhorando” e a produção “mostra movimentos de melhora”. O oficial disse que exportações relacionadas a automóveis mostraram uma recuperação significante, apoiadas por melhoras nas economias do exterior.

O governo também atualizou sua avaliação sobre a situação empregatícia, dizendo que havia “movimentos estáveis em alguns componentes, como o número de empregados, enquanto a fraqueza permanece”.

A avaliação geral do governo foi atualizada tanto em junho como em julho, visto que atividades sociais e econômicas em todo o país retomaram lentamente após a suspensão do estado de emergência.

O relatório mensal previu que a recuperação continuaria a curto prazo com uma melhoria nas economias do exterior e retomada de atividades socioeconômicas domésticas.
Fonte: Portal Mie com Japan Times

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Tóquio mantém alta taxa de infecção por coronavírus e várias províncias registram recordes

Japão rejeitou o conselho do painel de adiar o programa Go To Travel
Tóquio

O governo de Tóquio informou às 15h desta quinta-feira (30) que estava para confirmar pelo menos 367 novas infecções por coronavírus, o que seria um novo recorde, segundo a NHK. O número total será divulgado mais tarde.

Entre os infectados estão pessoas de ambos os sexos na faixa dos 10 aos 90 anos de idade, sendo que aqueles entre os 20 e 30 anos de idade compõem 64% do total.

Outras províncias apresentaram resultados preliminares.

Aichi fechou a quinta-feira com pelo menos 153 novas infecções, mantendo mais de 100 casos pelo terceiro dia consecutivo, totalizando 1.605 pessoas.

Chiba confirmou 49 casos, agora chegando ao total de 1.611 infectados, o mesmo número registrado por Okinawa, que totaliza 324 pessoas com Covid-19.

Hyogo confirmou 53 pessoas com coronavírus, sendo a primeira vez que esse número passa de 50 em um dia, totalizando agora 1.158 pacientes.

Uma empresa de construção naval em Kumamoto informou que 50 funcionários testaram positivo para a Covid-19, e com base nisso está tomando providências para evitar a disseminação do vírus. 

Sem viagens
O governo central foi aconselhado por um painel de especialistas a adiar o programa de promoção de turismo Go To Travel, mas rejeitou esse conselho.

Shigeru Omi, chefe do subcomitê de vírus de um painel de especialistas do governo, fez a observação em uma reunião do comitê parlamentar em resposta a uma pergunta de Motohisa Furukawa, do Partido Democrata para o Povo da oposição.

"Aconselhei o governo a adiar sua decisão, pois vi a necessidade de preparar uma explicação convincente apoiada por evidências, analisando os resultados de pesquisas epidemiológicas" sobre a situação de infecção por coronavírus do país, disse Omi.

O conselho não foi aceito, acrescentou.

Com base nas discussões do subcomitê em 16 de julho, o governo decidiu iniciar o Go To Travel em 22 de julho, conforme programado, excluindo viagens de e para Tóquio.

O programa visa apoiar a indústria do turismo por meio de descontos e cupons subsidiados pelo governo.

Omi disse que havia concordado com a exclusão de Tóquio, na reunião de 16 de julho, porque a capital estava em um nível totalmente diferente de outros lugares em termos de propagação de infecções.

Na reunião parlamentar de quarta-feira, o ministro do Turismo, Kazuyoshi Akaba, disse que deseja que Tóquio seja incluída no programa se a situação da infecção melhorar.
Fonte: Alternativa

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Fluxo de infectados nos aeroportos pode gerar nova onda da Covid-19

Estudo levou em conta a entrada de dez pessoas infectadas por dia, num prazo de três meses
Aeroporto Internacional de Narita

Um grupo de pesquisadores da Universidade Hokkaido realizou uma simulação para alertar sobre os riscos de uma nova onda da Covid-19, baseando-se na entrada de infectados que chegam de outros países.

O estudo revelou que se dez pessoas infectadas chegarem ao Japão por dia, dentro de três meses, a probabilidade de uma nova onda chegaria a 100%. Mesmo com todas as medidas de prevenção, como aplicação de testes de PCR e quarentena em hotéis, seria impossível conter a propagação do novo coronavírus.

No caso de uma redução da entrada de infectados para duas pessoas por dia, o percentual para um grande surto ficaria em 58,1% dentro de três meses. Mesmo que seja limitado a uma pessoa por dia, a probabilidade seria de 35,3%.

Um dos motivos que levou à propagação atual da Covid-19 no Japão foi a entrada de pessoas que chegaram de países onde o surto estava começando. Dessa vez, os especialistas alertam o governo a tomar cuidado na hora de flexibilizar as normas para o reinício da entrada de passageiros do exterior.

“O serviço sanitário e o processo de Imigração são administrados por autoridades distintas. Se o país for flexibilizar a entrada de passageiros no futuro, será preciso uma união de forças para analisar todos os dados em conjunto”, disse o médico e especialista em estratégia de saúde, Hiroshi Nishiura, que lidera a pesquisa.

Situação atual 
Atualmente, a entrada de estrangeiros de 111 países com alto risco de contágio está proibida no Japão.

No caso de japoneses e estrangeiros com visto de longa residência, os passageiros são submetidos à quarentena, permanecendo 14 dias em hotéis ou em suas residências, sem o uso do transporte público.

Aqueles que chegam dos 111 países de risco precisam ainda fazer o teste de PCR para detecção do novo coronavírus. Como o sistema está sobrecarregado, o resultado desses testes pode demorar até dois dias para ficar pronto, obrigando os passageiros a permanecerem em áreas específicas dentro dos aeroportos.

Sobre a flexibilização da entrada de passageiros do exterior
O governo japonês está tomando as providências para flexibilizar a entrada de passageiros vindos de quatro países onde o surto tem se estabilizado: Tailândia, Vietnã, Austrália e Nova Zelândia.

A princípio, as normas serão flexibilizadas para as pessoas que precisam viajar por motivo de trabalho. A previsão é de que a medida seja aprovada ainda no mês de junho.
Fonte: Alternativa

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Japoneses desafiam isolamento social durante a Golden Week

Mesmo em Tóquio há famílias inteiras que vão passear em parques
isolamento social

Durante a vigência do estado de emergência do coronavírus no Japão muitas pessoas estão seguindo o apelo governamental para ficar em casa. Mas alguns ainda precisam ir ao trabalho, apesar dos riscos de infecção, enquanto outros continuam a comer fora, a fazer piqueniques em parques e ir a supermercados com pouca consideração pelo distanciamento social.

Na quarta-feira (29), o primeiro dia da Golden Week (Semana Dourada), o arborizado Shiba Park de Tóquio estava lotado de famílias com crianças pequenas acampadas em tendas, segundo noticiou a Associated Press.

A chegada do feriado está testando a vontade do público de se unir contra um inimigo comum, enquanto os profissionais de saúde alertam que os casos crescentes de coronavírus estão sobrecarregando o sistema médico em alguns lugares.

Especialistas dizem que falta um senso de urgência, graças às mensagens confusas do governo e à falta de incentivos para ficar em casa.

Em Okinawa, os habitantes recorrem a postagens de mídia social para os turistas não visitarem, "para proteger nossos avós e avós".

"Cancele sua viagem a Okinawa e espere até que possamos recebê-lo", twittou o governador Denny Tamaki. "Infelizmente, Okinawa não pode oferecer hospitalidade e nossos sistemas médicos, inclusive em ilhas remotas, estão em estado de emergência."

Num Japão impulsionado pela conformidade e pelo consenso, a pandemia está colocando aqueles que desejam seguir as regras contra uma minoria considerável que está resistindo aos pedidos de ficar em casa.

Para obter uma melhor conformidade, o governo precisa de mensagens mais fortes, disse Naoya Sekiya, professora da Universidade de Tóquio e especialista em psicologia social e comunicação de riscos.

Um bloqueio mais rígido também ajudaria.

Embora a adesão sincera para ficar em casa consternasse a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, nenhum dos que rejeitaram o conselho está infringindo a lei.

Legalmente, o estado de emergência só pode envolver solicitações de conformidade. Os infratores não enfrentam penalidades. Existem poucos incentivos para fechar lojas.

A principal mensagem foi a economia em primeiro lugar, a segurança em segundo lugar: o primeiro-ministro Shinzo Abe insistiu que o Japão não adotaria travamentos rígidos no estilo europeu que paralisariam a economia. Seu ministro da economia lidera as reuniões da força-tarefa do governo contra coronavírus.

"A mensagem vinda do governo é bastante branda, aparentemente tentando transmitir a necessidade de ficar em casa enquanto prioriza a economia", disse Sekiya.

Como as pessoas não têm um senso comum de crise, em vez de ficar em casa, elas esperam o melhor e assumem que não serão infectadas, disse ele.

Três quartos das pessoas que responderam a uma pesquisa recente do jornal Asahi disseram que estão saindo menos do que o habitual. Mas pouco mais da metade achou que poderia cumprir o apelo de Abe de reduzir suas interações sociais em 80%.

Pessoas de todas as idades estão ignorando o pedido de ficar em casa. O popular cruzamento em Shibuya, no centro de Tóquio, parecia deserto, mas os restaurantes e bares nas ruas ainda estavam ocupados.

No subúrbio a oeste de Kichijoji, ruas estreitas de lojas ficaram congestionadas durante o fim de semana com famílias passeando e indo almoçar.

Os salões Pachinko atraíram a ira por permanecerem abertos, apesar do anúncios dos nomes dos que descumpriam a orientação do governo e de outras pressões para fechar. Bares e restaurantes estão ignorando a indicação para fechar às 20h.

"É ridículo", disse um homem de 80 anos bebendo quarta-feira em um bar no centro da cidade. "O que devo fazer em casa? Só estaria assistindo TV".
As autoridades estão tentando revidar.

Em Kichijoji, eles patrulhavam galerias comerciais carregando faixas dizendo "Por favor, não saia". Os prefeitos locais apelaram ao governo para fechar a praia movimentada de Shonan, popular entre surfistas e famílias, ao sul de Tóquio. Algumas prefeituras criaram postos de controle de fronteira para identificar placas de veículos não locais.

"Parece que nem todos compartilham o sentimento de crise", disse Kazunobu Nishikawa, um oficial de prevenção de desastres na cidade de Musashino, que supervisiona Kichijoji.

"Muitas pessoas entendem os riscos dessa doença infecciosa", disse ele, mas "outras parecem pensar que o COVID-19 não passa de um resfriado comum e não se importa desde que não o pegue."

Abe declarou o estado de emergência em 7 de abril, quando os casos de vírus aumentaram. Inicialmente, abrangeu apenas Tóquio e seis outras áreas, mas depois se expandiu para incluir todo o país.

Abe não pediu que as empresas não essenciais fechassem. Mas Koike, o governador de Tóquio, lutou e prevaleceu ao pedir que escolas, cinemas, clubes esportivos, bares de hostess e outras empresas da cidade fossem fechadas.

A maioria dos restaurantes e pubs ainda pode operar das 17h às 20h, e as mercearias e lojas de conveniência e o transporte público permanecem funcionando como de costume.

O governo lançou um pacote econômico sem precedentes de 108 trilhões de ienes (US $ 1 trilhão) que inclui empréstimos para pequenas empresas e outras medidas de coronavírus.

Respondendo às críticas de que estava negligenciando indivíduos e famílias com extrema necessidade de dinheiro para sobreviver, Abe anunciou o pagamentos em dinheiro de 100.000 ienes a todos os residentes.

Os dados da pesquisa mostram que a meta de distanciamento social de 80% foi atingida aproximadamente nos fins de semana, com o número de frequentadores da vida noturna e de passageiros notavelmente mais baixos.

Mas parques e pontos populares ao ar livre nas cidades densamente povoadas do Japão ainda estão lotados de pessoas, disse Hiroshi Nishiura, professor da Universidade de Hokkaido e especialista em análises epidemiológicas.

Tóquio relatou 47 casos confirmados recentemente na quarta-feira, com o total em todo o país pouco mais de 14.000, embora testes limitados signifiquem que o número de infecções provavelmente seja muito maior.

A funcionária do call center, Mayumi Shibata, está entre os muitos japoneses que não podem trabalhar totalmente em casa, em parte porque muitos itens burocráticos não estejam computadorizados e a maioria dos documentos ainda deve ser carimbada pessoalmente.

"Vou fazer o que puder para manter meu emprego", disse Shibata enquanto estava do lado de fora da movimentada estação ferroviária de Shinagawa, no centro da cidade, numa manhã recente.

Com os trens um pouco menos lotados, as condições para o deslocamento são melhores e ela tenta almoçar fora, se não estiver chovendo, para tomar um pouco de ar fresco. "Estou tentando não ser infectada", disse ela.
Fonte: Alternativa

terça-feira, 21 de abril de 2020

Coronavírus: Sem direito a home office, operários brasileiros no Japão temem contágio e desemprego

"A gente está desprotegido de todos os lados: é medo de pegar vírus, medo de ficar desempregado, medo de precisar voltar para o Brasil com uma mão na frente e outra atrás", diz brasileiro que trabalha em fábrica japonesa

 brasileiros no Japão

Nos primeiros dias de abril, três meses após o primeiro caso confirmado de covid-19 no Japão, Armando*, paulistano de 41 anos, ouviu pela primeira vez a palavra "corona" na fábrica onde trabalha, na província de Aichi.

"É hora de se cuidar para não atrapalhar a linha de produção", disse o supervisor japonês da unidade. "O ideal é ir de casa para a fábrica, da fábrica para a casa", orientou.

Depois, por volta do dia 9, Armando recebeu um folheto ilustrado com instruções para higienizar as mãos e usar máscaras na usina, que produz peças para mega montadoras japonesas como Toyota, Suzuki e Daihatsu. A fábrica não fornece máscaras aos operários, mas recentemente instalou um ponto de álcool spray na área dos vestiários. Até 17 de abril, o país registrou mais de 9 mil casos e 160 mortes (não há dados divididos por imigrantes e japoneses).

"Antes ninguém tocava no assunto. A fábrica estava a todo vapor, como se não estivesse acontecendo nada lá fora. Só agora o pessoal está acordando para a realidade da pandemia", diz Armando, um dos milhares de trabalhadores imigrantes de Aichi, que concentra o maior número de residentes brasileiros (52.919, segundo dados do Ministério da Justiça do Japão de 2018).

Além de brasileiros dekasseguis (descendentes de japoneses que migram para trabalhar temporariamente no país), a indústria japonesa emprega contingentes de chineses, coreanos, filipinos e vietnamitas.

Enquanto no Brasil se instaurou uma discussão sobre parar ou não a economia diante das diretrizes de isolamento, no Japão não foi imposta a quarentena. Em 25 de março, o presidente compartilhou no Twitter um vídeo de um brasileiro em um parque de Tóquio, destacando a "normalidade" da vida japonesa apesar do vírus, a fim de criticar a quarentena, que é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por autoridades de diversos países.

Estado de emergência
Em 24 de março, porém, após o adiamento da Olimpíada de Tóquio para 2021, o arquipélago registrou recordes de novos casos por dia, levando políticos, empresários e especialistas japoneses a pressionar por medidas mais rigorosas no combate à covid-19.

Em 7 de abril, o primeiro-ministro Shinzo Abe declarou estado de emergência, que inicialmente valia para sete das 47 províncias (Tóquio e Osaka, entre elas) e deveria durar até 6 de maio. Nove dias depois, Abe estendeu o estado de emergência para todo o país, estipulando uma meta de 80% de isolamento nas maiores cidades. Sob estado de emergência, bares, cassinos, cinemas, colégios, museus e parques de diversões podem ser suspensos temporariamente. Fábricas como a de Armando, por sua vez, devem continuar funcionando "até segunda ordem".

"Home office pra operário? Impossível. Quer quarentena? É por sua conta e risco: para quem é terceirizado e temporário como eu, se não bater ponto, desconta o dia; se reclamar, é demitido. A gente está desprotegido de todos os lados: é medo de pegar vírus, medo de ficar desempregado, medo de precisar voltar para o Brasil com uma mão na frente e outra atrás", define.

Nas fábricas japonesas, muitos imigrantes são terceirizados e temporários — o contrato, intermediado por empreiteiras e renovado por períodos de um a 3 meses, por exemplo, estipula pagamento por hora trabalhada (e não por dia ou por mês).

Teoricamente, trabalhadores japoneses e estrangeiros têm direitos iguais. Se na pandemia a demanda diminuir e a fábrica decidir desacelerar a produção, por exemplo, estrangeiros devem receber remuneração pelos dias parados (a depender do caso, o kyuugyou teate, benefício por descanso forçado, ou o yuukyuu kyuka, dia de férias remuneradas) e não podem ser sumariamente demitidos.

"Ainda que a administração da empresa esteja indo mal devido à infecção pelo novo coronavírus, não podemos admitir que os trabalhadores estrangeiros sejam tratados com desvantagem ante os japoneses", diz o informe, traduzido para 16 idiomas e publicado no site do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão. No dia 10, o ministério informou que pretende disponibilizar 40 conselheiros nas agências Hello Work, os centros de assistência de empregos, para dar orientações a estrangeiros que se sentirem prejudicados.

"Há muito tempo, o governo japonês tem a preocupação de garantir condições de trabalho igualitárias, não só entre estrangeiros e japoneses, mas entre efetivos e não-efetivos (terceirizados, temporários, meio-período etc.). Em caso de falta para ir ao médico, por exemplo, o empregador deve possibilitar o uso das férias remuneradas pelos terceirizados, que é o mesmo direito dos trabalhadores efetivos. Se o empregador não respeitar essa regra, o trabalhador deve denunciar o fato às autoridades", diz a advogada Vitória Pinhas, especialista em direito de imigração e transações internacionais, cujo escritório conta com advogados licenciados em países como Brasil, Estados Unidos e Japão.

Direitos trabalhistas

Direitos trabalhistas em xeque
Na internet se proliferam os posts de casos de desrespeito de direitos trabalhistas, mas sem identificar empresas e empreiteiras, pois muitos imigrantes temem represálias e não conseguir outros trabalhos.

"Todos os terceirizados de empreiteira estão na corda bamba. Mais de 100, antigos e novos de casa, jovens e velhos, foram demitidos do dia para a noite", postou Marina*, de Anjo. "Terceirizados receberam aviso prévio hoje (2 de abril). Isso que a montadora é correta e dá aviso prévio, a maioria não dá. Pensa que está ruim agora? Sabe de nada, inocente", escreveu Elisa*, de Nagoia.

O governo japonês divulgou iniciativas como auxílio de 300 mil ienes (cerca de R$ 15 mil) para famílias cuja renda foi afetada pela pandemia, sinalizou subsídio financeiro para pais que precisarem faltar ao trabalho para ficar com seus filhos (já que os colégios públicos tiveram aulas e atividades suspensas entre março e abril) e agora discute uma nova proposta de auxílio de 100 mil ienes (cerca de R$ 5 mil) por residente. Entretanto, é limitado o alcance das informações para imigrantes, principalmente devido à barreira do idioma.

Só depois das declarações de estado de emergência, autoridades intensificaram atendimento telefônico multilíngue para dúvidas relativas ao novo coronavírus para estrangeiros que estejam visitando ou vivendo no Japão, inclusive informações para testes. Tóquio, por exemplo, só lançou uma linha direta, disponível em 14 idiomas, em 17 de abril.

Falta de testes
Há tempos o governo japonês vem sendo criticado por não realizar testes numerosos desde o início do surto, na contracorrente da diretriz da OMS ("testem, testem, testem; testem todo caso suspeito", nas palavras de Tedros Adhanom, diretor da organização). No país, a capacidade de realizar testes saltou de 7,5 mil por dia, até fins de março, para 20 mil por dia, no início de abril. A partir daí, o total ultrapassou 100 mil exames do tipo PCR realizados.

Para Kentaro Iwata, diretor da divisão de doenças infecciosas da Universidade de Kobe, a estratégia de testar apenas focos de infecção foi bem-sucedida enquanto o número de casos positivos ainda era baixo. "A alta de casos em Tóquio e Osaka mudou a situação. Agora, o Japão precisa de mais testes", diz.

Entretanto, imigrantes com sintomas de covid-19 relatam dificuldades para conseguir realizar o exame. Foi o caso de Ana*, paulistana de 37 anos, há 8 no Japão, que está grávida de 8 meses.

Ana trabalha em uma empresa de tecnologia da informação de Tóquio. No fim de fevereiro, uma colega viajou de férias para o Havaí, voltou à empresa, teve febre por dois dias seguidos, foi afastada e voltou a trabalhar depois de dez dias. Em nenhum momento ela foi examinada, o prédio não foi dedetizado e empresa não fez comunicado oficial aos outros funcionários. "A partir de 16 de março, eu me senti mal e passei a medir a temperatura: 37,6 graus. No dia 17, 37,9 graus, e um cansaço anormal no corpo. Meu marido é japonês, domino o nihongo (a língua japonesa) e decidi ligar na linha direta para pedir informações e tentar marcar o teste", narra.

Ana foi instruída pela atendente a buscar a linha direta do centro de triagem de Yokohama, cerca de 30 km ao sul da capital, mas não conseguiu contato. Decidiu então procurar o consultório de sua obstetra, onde fez o único teste disponível, de influenza (H1N1), que deu negativo.

Orientada a esperar dois dias para acompanhar os sintomas, ela foi para casa e se isolou no quarto, sem contato com o marido. Nos dias seguintes, Ana sentiu fadiga, febre, falta de ar e tosse seca, voltou a ligar para o centro de triagem de Yokohama, que a encaminhou a outro número.

"A todo momento, uma voz dizia que o telefonema estava sendo gravado, mas precisei contar a história inteira diversas vezes. O que mais me chocou foi o tom das perguntas, distorcendo o que eu estava dizendo. Eu descrevia os sintomas e, do outro lado, a atendente dizia 'mas a febre está constante todos os dias, o tempo todo?, mas a dor no peito não necessariamente é por causa da falta de ar, né?', tentando direcionar para uma situação que não dá suspeita. Tive de bater o pé: não, não foi isso o que eu disse, a ligação está sendo gravada, pode conferir".

Ao fim, Ana recebeu outro número para ligar, com a promessa de conseguir marcar o teste "se passasse" pela triagem. Quarenta minutos depois na nova ligação, foi orientada a ficar mais dez dias esperando a evolução dos sintomas em casa. "No dia 23, a febre abaixou e consegui respirar melhor, mas com um chiado que nunca tive no peito. Ouvir, do outro lado da linha, 'você não é caso de internação, você ainda está conseguindo conversar' é desesperador. O pior é ficar sem saber", relata, com voz ofegante.

No dia 25 de março, Ana precisou voltar ao trabalho, pressionada pelos chefes por não ter atestado ou laudo médico para apresentar, já que não foi sequer testada e "só ficou em casa". "Os dias que eu faltei vão ser descontados; não tem teletrabalho, não tem home office. Eu não deveria sair de casa, pegar trem, ir ao escritório, expor o risco do vírus aos outros, mas fui forçada a trabalhar nos dias 26 e 27. Depois, decidi não me arriscar mais e pressionei para conseguir antecipar a licença maternidade."

trabalhadores estrangeiros no Japão

Com os filhos em casa
Eduarda*, paulistana de 32 anos, há 10 meses no Japão, enfrenta outro tipo de dificuldades. Mãe de um menino de 6 anos e uma menina de 7, ela não pode deixar os filhos desacompanhados em casa — os garotos estão matriculados em um colégio particular para filhos de imigrantes, onde as aulas foram suspensas entre 9 e 20 de março e, após a declaração de estado de emergência, a partir de 10 de abril indefinidamente.

"O governo tinha divulgado ajuda para mães, mas não especificava colégios de crianças brasileiras. Tirei metade dos dias de férias remuneradas a que tinha direito em março para ficar com as crianças e a partir de agora, em abril, não sei como vou continuar cuidando deles e trabalhando na fábrica ao mesmo tempo. Não vou ter dinheiro no mês que vem", diz Eduarda, de Toyoashi.

"Fui na empreiteira para pedir informações, pois infelizmente a gente, imigrante, fica preso a eles. Mas eles disseram que não sabem simplesmente de nada, que é tudo vago, que é esperar pra ver. Enquanto isso, a gente faz das tripas coração pra pagar as contas", define.

Toyota, Suzuki & cia.
Além do medo de ficar doente (como Armando), não conseguir ser examinado (como Ana) ou de precisar escolher entre cuidar dos filhos ou trabalhar (como Eduarda), brasileiros temem o desemprego durante a crise do coronavírus, diante de casos recentemente revelados nas fábricas japonesas.

Em fins de março, uma unidade da Toyota, uma das maiores montadoras do país, registrou dois casos de coronavírus— além dos diagnosticados, dois funcionários na casa dos 20 anos, foram afastados 33 operários que tinham contato constante com eles em um galpão de Takaoka, na cidade de Toyota (Aichi); a unidade foi fechada por três dias (de 23 a 25 de março) para ser desinfetada. Segundo a NHK, a agência pública do Japão, outro funcionário, na faixa de 30-39 anos, foi diagnosticado na unidade de Miyata, na cidade de Miyawaka (Fukuoka). A identidade deles não foi divulgada.

Diversas fábricas da Toyota paralisaram atividades por períodos breves neste mês. Nos últimos dias, outros titãs da indústria automotiva suspenderam a produção no território japonês: subsidiárias e unidades da Suzuki pararam; instalações da Honda, Nissan, Mazda e Mitsubishi, idem.

Honda e Nissan inclusive sinalizaram demissões de 10 mil funcionários cada, nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, de acordo com a consultoria Bright Consulting, focada no setor automotivo, as paradas de produção atingem cerca de 370 mil funcionários de montadoras e fornecedoras de autopeças, um prejuízo de até R$ 42 bilhões em 2020.

"O bem-estar do trabalhador é a última das preocupações. As fábricas japonesas estão parando por falta de peças ou de pedidos", diz Armando, que ganha 1.300 ienes por hora (cerca R$ 63). Em março, o operário fez jornadas de 11 horas de segunda a sexta e trabalhou quase todos os sábados. Em abril, passou a trabalhar cerca de 6 horas por dia. "Quer dizer, menos horas, menos dinheiro no fim do mês."

No dia 10, Akio Toyoda, presidente-executivo da Toyota e diretor da Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis, declarou que a indústria automotiva japonesa buscará proteger empregos no mundo todo. Toyoda comparou o atual contexto incerto e a necessidade de ficar em casa como "um longo inverno". "Agora estamos sentindo mais do que nunca que poder ir aonde você quer é uma experiência emocionante verdadeiramente. Vamos sobreviver, ou então não haverá primavera."

*Nomes fictícios para preservar identidades dos imigrantes;

**Fontes de informações para brasileiros residentes no Japão:

  • Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar
  • Centro de Apoio para Residentes Estrangeiros de Tóquio: 0120-296-004 (seg. a sex., 10:00 - 17:00)
  • Centro de Informação Médica da Ásia: 03-6233-9266 (atendimento em português às sextas, 10:00 - 15:00)
  • Centro de Aconselhamento para Trabalhadores Estrangeiros: 0570-001703 (atendimento em português de seg. a sex., 10:00 - 15:00)
Fonte: BBC Brasil