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quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Convenção dos Nikkeis pede que Japão facilite entrada e permanência de yonseis no país

O evento reúne descendentes de japoneses de vários países

Convenção dos Nikkeis e Japoneses no Exterior
A 63ª Convenção dos Nikkeis e Japoneses no Exterior (Kaigai Nikkeijin Kyokai) encerrou nesta quarta-feira (18) sua programação de três dias em Tóquio, informou a agência de notícias Jiji Press. 

O evento reúne descendentes de japoneses de vários países e, neste ano, finalizou com uma declaração pedindo ao governo japonês para flexibilizar os requisitos de entrada e permanência para os nikkeis de quarta geração (yonsei).

A declaração apelou para que o governo japonês desse mais consideração aos yonseis que têm interesse no Japão e desejam realizar seus sonhos no país.

A Convenção, que teve como tema "O avanço da comunidade nikkei – Uma nova geração com grandes iniciativas", é realizada todos os anos, com o objetivo de reunir descendentes que vivem em diferentes paises, promovendo discussões sobre os desafios enfrentados por suas comunidades e formas de cooperação entre si e com o Japão, bem como para fortalecer as relações de intercâmbio e aprofundar os laços de amizades.

Visto de longa permanência
O governo japonês está considerando emitir visto de longa permanência para yonseis, fazendo uma grande mudança nas regras atuais, mas antes disso planeja coletar opiniões públicas durante o outono.

A intenção do governo é definir as mudanças ainda este ano.

O que deve mudar
Depois de ficar no Japão por cinco anos com o visto atual de "atividades específicas", o yonsei poderá solicitar o visto de longa permanência, desde que cumpra certos requisitos relacionados ao idioma japonês.

Em junho, o jornal Yomiuri publicou que seria necessário o nível N2 do JLPT para pedir o visto de longa permanência, mas ainda não há nenhuma definição por parte do governo.

A concessão do status de longa permanência permitirá que os yonseis fiquem no Japão pelo tempo que quiserem, renovando o visto periodicamente.

Além disso, eles poderão trazer a família (cônjuge e filhos, por exemplo).

A necessidade de comprovar a capacidade de compreensão do japonês básico, no entanto, deve ser mantida.

Segundo o jornal Yomiuri, o limite de idade para entrar no Japão poderia ser aumentado dos atuais 30 anos para 35 anos.

Regras atuais
Em 2018, o Japão passou a conceder visto sob a categoria de "atividades específicas" para os yonseis, com duração de no máximo cinco anos, sem possibilidade de renovação e sem poder trazer a família junto.

Os requisitos são: (segundo a Agência de Imigração do Japão)

  • Ter entre 18 e 30 anos de idade no momento da entrada no Japão.
  • Possuir a passagem aérea de volta ao país de origem ou reserva financeira suficiente para comprar a passagem aérea de volta em questão.
  • Ser possível prever, no ato da solicitação, a capacidade de subsistência durante a estadia no Japão.
  • Gozar de perfeita saúde.
  • Ter bom comportamento.
  • Estar inscrito em um seguro que cubra os custos em caso de morte, acidente ou doença durante a estadia no Japão.
  • Comprovar, através de exame ou outro método, a capacidade de compreensão do japonês básico, ou comprovar, através de exame, a capacidade de compreensão do japonês básico, até certo ponto. Caso seja um yonsei que já utilizou este sistema e deseja entrar novamente no Japão, pode ser exigido “comprovar, por meio da prova, a capacidade de compreensão do idioma japonês básico” (equivalente ao nível N4 do JLPT Nihongo Noryoku Shiken) ou “comprovar, por meio da prova, a capacidade de compreensão do idioma japonês usado em situações cotidianas, até certo ponto” (equivalente ao nível N3 do JLPT Nihongo Noryoku Shiken).
  • Ter um Assistente de Recepção dos Yonseis (tutor que se responsabilize por informar a Imigração sobre as atividades do yonsei no Japão).
  • Não ter permanecido por um período total de cinco anos por meio da utilização deste sistema.

Veja mais informações em português aqui.
Fonte: Alternativa

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Fenômeno decasségui é tema de Convenção dos Nikkeis em Tóquio

Evento tem participação de representantes de 19 países e foi aberto pelo casal imperial
60ª Convenção dos Nikkeis e dos Japoneses no Exterior

Às vésperas de completar 30 anos, o movimento migratório que trouxe mão de obra de países sul-americanos ao Japão foi incluído como um dos principais temas de discussão da convenção de nipo-descendentes realizada desde 1957 em Tóquio.

A 60ª Convenção dos Nikkeis e dos Japoneses no Exterior tem participação de representantes de 19 países e foi aberta na terça-feira (1º) pelo casal imperial. Em sua saudação, o imperador Naruhito destacou a importância dos nikkeis no desenvolvimento e da globalização de cada país. “No Brasil, pude ver in loco os aspectos dos nikkeis que são brilhantes, fiquei impressionado com o reconhecimento deles. Os nikkeis são a ponte dos seus países com o Japão.”

O imperador também fez referência aos 30 anos da presença de mão de obra nipo-latina no Japão. “Devemos aproveitar como referência de cultura diversa para ampliar ainda mais o círculo de intercâmbio e fortalecer os lados entre os nikkeis”, afirmou.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), Renato Ishikawa, fez a saudação em nome de todos os participantes da Convenção deste ano.

A palestra de abertura ficou ao cargo do sociólogo Angelo Ishi, professor da Universidade Musashi e também articulista da revista Alternativa. Ele fez um panorama dos 30 anos dos nikkeis no Japão, da chegada dos primeiros decasséguis até a consolidação como migrantes no Japão. “Muitas vezes, os nikkeis residentes no Japão são considerados um problema e a contribuição deles na economia no Japão não é vista, inclusive até mesmo criando emprego e empregando japoneses.”

O professor também abordou a questão da educação dos nikkeis e o visto para a quarta geração. “Ele foi liberado, mas decepcionou dada a rigorosidade. O governo dá a ideia de que não quer receber os yonseis”, afirmou Ishi.

No mesmo dia, o casal imperial Naruhito e Masako recebeu a portas fechadas um grupo de representantes de 20 comunidades nikkeis espalhadas pelo mundo. Norberto Shinji Mogi, empresário e diretor-presidente do Sabja (Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão), representou os brasileiros residentes no Japão. “Foi muita emoção. Assim que eles entraram na sala, senti uma aura em torno deles”, comentou Mogi.

O imperador Naruhito quis saber do brasileiro detalhes da operação de socorro aos sobreviventes do tsunami de 2011. Nessa ocasião, Mogi disponibilizou dois caminhões e um trator de sua empresa para ajudar na remoção dos entulhos formados pelas casas destruídas por aquele desastre natural.

A 60ª Convenção dos Nikkeis e dos Japoneses no Exterior termina nesta quinta-feira (3) com a divulgação da declaração conjunta. Na edição anterior, os participantes decidiram pela criação do Dia Internacional do Nikkei para ser comemorado em 20 de junho, e pediram a “compreensão e assistência calorosa por parte da sociedade e do governo do Japão à comunidade nikkei no país”.

A Convenção foi realizada pela primeira vez em 1957 em gratidão à solidariedade dos nikkeis que enviaram suprimentos de ajuda ao Japão pós-guerra. A segunda edição do evento aconteceu em 1960 e a partir da terceira convenção, em 1962, passou a ser realizada anualmente.
Fonte: Alternativa