Mostrando postagens com marcador primeiro-ministro do Japão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador primeiro-ministro do Japão. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de junho de 2025

Japão vai proibir reentrada de estrangeiros que deixarem dívidas em hospitais

“É preciso lidar com rigor com aqueles que não seguem as regras”, disse o primeiro-ministro Shigeru Ishiba

reentrada de estrangeiros
O governo japonês realizou na sexta-feira (6) uma reunião ministerial sobre políticas para a aceitação de trabalhadores estrangeiros. Durante o encontro, foi aprovada uma revisão do plano de “medidas abrangentes” que serão implementadas ao longo do próximo ano.

Entre os principais pontos, destaca-se a nova diretriz que permite negar a reentrada no país de estrangeiros com visto de média ou longa duração que tenham deixado dívidas de despesas médicas em hospitais, informou o jornal Nihon Keizai.

Desde 2018, o governo adota esse plano de medidas, atualizado anualmente. Já existem restrições para visitantes temporários, como turistas, que não pagam contas médicas, podendo ser proibidos de retornar ao Japão. A nova política estende essa restrição também aos residentes de médio e longo prazo. Não ficou claro de imediato se a medida afetaria estrangeiros com visto permanente.

“É natural garantir o apoio necessário para que estrangeiros não fiquem isolados no Japão, com respeito aos direitos humanos. No entanto, é preciso lidar com rigor com aqueles que não seguem as regras”, disse o primeiro-ministro Shigeru Ishiba durante a reunião.

Além disso, Ishiba anunciou a criação de um novo órgão dentro do Gabinete para coordenar políticas de imigração e residência de forma mais integrada.

Outras medidas discutidas:

  • Reforço no controle de dívidas sociais: O governo vai estudar mecanismos para prevenir a inadimplência de estrangeiros no pagamento de seguro social, como também poderá impedir a renovação de visto em casos de inadimplência com imposto de renda, imposto residencial e outras taxas.
  • Digitalização da imigração: Está prevista a modernização do sistema de controle migratório e a revisão das taxas de processos de imigração.
  • Nova plataforma JESTA a partir de 2028: O Japão introduzirá um sistema online de pré-avaliação chamado JESTA (Japan Electronic System for Travel Authorization), destinado a viajantes de países e regiões isentos de visto de curta duração (até 90 dias). Os viajantes deverão fornecer previamente informações como ocupação e motivo da visita. O objetivo é tornar os processos mais ágeis e eficientes. Segundo a Agência de Imigração do Japão, o aumento expressivo de turistas tem causado congestionamento e longas filas nos postos de controle de entrada no país.

Fonte: Alternativa

quinta-feira, 24 de março de 2022

Japão preparará pacote de ajuda para amortecer aumentos de preços de matérias-primas

Os gastos se concentrarão em subsídios aos combustíveis e na ajuda às famílias mais afetadas

Fumio Kishida
O primeiro-ministro Fumio Kishida provavelmente instruirá seu gabinete a compilar um pacote de ajuda na terça-feira (29) para amortecer o golpe econômico do aumento dos preços das matérias-primas, disseram três fontes do governo com conhecimento direto do assunto.

Na quarta-feira (23), porém, o premiê já havia comentado sobre o assunto: "Temos que responder com firmeza aos preços mais altos do petróleo e das matérias-primas, bem como aos aumentos de preços", disse Kishida a repórteres. "Vou emitir um pedido já na próxima semana."

Os gastos se concentrarão em subsídios aos combustíveis e ajuda às famílias atingidas pelo aumento dos custos de matérias-primas e alimentos, disseram as fontes, que comentaram sob condição de anonimato, pois não estavam autorizadas a falar publicamente.

O pacote "pode vir em duas etapas", disse uma das fontes, com a inicial a ser financiada por cerca de 5 trilhões de ienes (US$ 41 bilhões) em reservas no orçamento fiscal de 2022.

Detalhes do segundo pacote serão decididos antes de uma eleição marcada para a câmara alta no verão, disseram as fontes.
Fonte: Alternativa com Reuters

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Kishida é confirmado como o 100º primeiro-ministro do Japão e já convoca eleições gerais

Veja também quais são seus principais ministros

Fumio Kishida primeiro-ministro
Fumio Kishida foi confirmado como primeiro-ministro, o 100º na história do Japão, ganhando a maioria dos votos em sessão realizada no Parlamento na tarde desta segunda-feira (4).

Kishida deverá dissolver o Parlamento no dia 14 de outubro e convocar eleições gerais para 31 de outubro. 

O movimento surpresa, em meio às expectativas generalizadas de eleição pesquisa em novembro, parece ter como objetivo explorar um período de lua de mel tradicional concedido aos novos governos e uma queda acentuada no número de infecções por coronavírus.

O antecessor, Yoshihide Suga, teve índices de apoio de cerca de 70% logo após assumir o cargo há cerca de um ano, mas foi atingido por críticas sobre como lidou com a pandemia, o que o levou a abrir caminho para um novo líder para o Partido Liberal Democrata ( LDP) por meio da eleição.

"Kishida não está perdendo tempo", disse Tobias Harris, membro sênior do Center for American Progress, no Twitter.

"31 de outubro coloca a oposição em seus calcanhares, aproveita uma lua de mel nas pesquisas."

Harris acrescentou: "Se ele ganhar confortavelmente nas eleições gerais e conseguir se manter bem o suficiente para ganhar as eleições para a câmara alta no ano que vem, terá até três anos sem uma eleição."

A decisão da pesquisa de Kishida foi provavelmente influenciada por não querer repetir um erro cometido por Suga, que não convocou uma eleição quando seu apoio ainda era forte, disseram analistas.

"Eu acredito que ele pretende realizar a eleição antes que a atmosfera geral (em relação ao novo gabinete) esfrie", disse Zentaro Kamei, um membro sênior do PHP Institute.

Perfil
Kishida anunciou quem irá compor os ministérios, com boa parte de aliados do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe e do ex-ministro das finanças Taro Aso.

Fumio Kishida, primeiro-ministro
Ex-ministro das Relações Exteriores, Kishida fala há muito tempo sobre seu desejo de se tornar primeiro-ministro. Ele é visto como um criador de consenso pacífico e de fala mansa, mas carece de grande popularidade.

Como ministro das Relações Exteriores, ele supervisionou a assinatura de um pacto com a Coreia do Sul para os forçados a trabalhar nos bordéis nos tempos da guerra no Japão e organizou a visita do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao memorial da bomba nuclear de Hiroshima.

Toshimitsu Motegi, ministro das Relações Exteriores
Um dos poucos ministros do governo do primeiro-ministro Yoshihide Suga a manter seu posto, Motegi, 65, serviu como ministro da Economia e Comércio antes de Abe nomeá-lo para o Ministério das Relações Exteriores em uma remodelação de gabinete em 2019.

Como ministro do Comércio, ele abordou as negociações para o pacto de livre comércio da Parceria Transpacífico.

Educado em Harvard e na Universidade de Tóquio, Motegi, que fala inglês, foi eleito pela primeira vez para a câmara baixa em 1993 pelo então opositor Partido Novo do Japão. Ele ingressou no Partido Liberal Democrata (LDP), que está no poder, em 1995.

Nobuo Kishi, ministro da Defesa
O irmão mais novo do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, Kishi de 62 anos foi adotado por seu tio - o filho mais velho do ex-primeiro-ministro Nobusuke Kishi - logo após o nascimento.

Ele trabalhou nos Estados Unidos, Austrália e Vietnã quando foi contratado por uma firma de comércio antes de entrar na política em 2004.

Kishi, ideologicamente alinhado com seu irmão conservador Abe, expressou apoio à revisão constitucional, bem como preocupações com a vizinha China. Ele também é conhecido por ter laços amigáveis com Taiwan.

Ele se formou na Keio University em 1981 em economia.

Shunichi Suzuki, ministro das Finanças
Político pouco conhecido, mas bem relacionado, que já atuou como ministro dos Jogos Olímpicos, Suzuki é cunhado do atual ministro das finanças, Taro Aso, e filho do ex-primeiro-ministro Zenko Suzuki.

Espera-se que ele evite se desviar da linha do governo e continue seus esforços para equilibrar os gastos de crescimento com a reforma fiscal.

Graduado pela Universidade Waseda, ele foi eleito para o parlamento pela primeira vez em 1990.

Koichi Hagiuda, ministro da Economia e do Comércio
Hagiuda, 58, é um aliado próximo do ex-premiê Abe.

Como ministro da Educação desde 2019, ele serviu tanto para Abe quanto para Suga. As passagens anteriores do governo incluem servir como secretário-chefe adjunto do gabinete na administração de Abe e uma função como seu conselheiro especial de 2013 a 2015.

Eleito pela primeira vez para a câmara baixa do parlamento em 2003, ele já havia servido como membro da assembleia de governos locais em Tóquio.

Noriko Horiuchi, ministra da Vacina
Horiuchi, de 55 anos, assumirá seu primeiro cargo ministerial como uma das três mulheres do gabinete de Kishida. Ela foi vice-ministra do Meio Ambiente e ministra de Estado do Gabinete do Governo de Suga.

Sua incursão na política começou quando ela foi convidada a assumir o distrito de seu sogro e ex-ministro do Comércio, Mitsuo Horiuchi, depois que ele se aposentou. Ela foi eleita pela primeira vez para a câmara baixa em 2012.

Takayuki Kobayashi, ministro da Segurança Econômica
Formado pela Kennedy School de Harvard e pela Universidade de Tóquio, Kobayashi, de 46 anos, começou uma carreira no Ministério das Finanças que incluiu uma passagem pela embaixada do Japão nos Estados Unidos, antes de mudar para a política em 2010.

Eleito pela primeira vez para a câmara baixa em 2012, foi vice-ministro da Defesa Parlamentar de Abe.

Sua nomeação refletirá a influência de Akira Amari, o recém-nomeado secretário-geral do PLD e um aliado de Abe, que é um arquiteto das políticas de segurança econômica do Japão destinadas a proteger tecnologia do Japão em relação à China em áreas como cadeias de suprimentos e segurança cibernética.

Daishiro Yamagiwa, ministro da Revitalização Econômica
Um dos 13 rostos novos no gabinete de Kishida, Yamagiwa, 53, começou sua carreira na política logo após se formar na Universidade de Tóquio em ciências veterinárias.

Ele se tornou um legislador da câmara baixa em 2003 e serviu por um breve período como vice-ministro do comércio no governo de Abe.

Yamagiwa é visto como próximo de Amari, juntando-se ao seu grupo antes de segui-lo para a facção de Aso em 2017.
Fonte: Alternativa com Reuters

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Japão vai imunizar até novembro todos as pessoas que desejam tomar vacina, diz Suga

O premiê afirmou que mais de 98% das cidades pretendem terminar de vacinar os idosos até o final de julho

vacina contra Covid-19
O Japão planeja terminar de imunizar todos os cidadãos que desejam tomar a vacina contra Covid-19 até novembro, disse o primeiro-ministro Yoshihide Suga durante um debate entre líderes partidários nesta quarta-feira (9).

Menos de 50 dias antes do início das Olimpíadas de Tóquio, o Japão vacinou cerca de 11% de sua população com pelo menos uma dose, uma campanha lenta em comparação com outros países avançados.

O Japão está vacinando profissionais de saúde e idosos com 65 ou mais por enquanto, mas algumas pequenas cidades e vilas já começaram a imunizar moradores com menos de 65 anos.

Suga disse que mais de 98% das cidades japonesas pretendem terminar de vacinar os idosos até o final de julho.

A partir do dia 21 deste mês, grandes empresas começarão a imunizar seus funcionários no próprio local de trabalho.
Fonte: Alternativa com Reuters

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Monitoramento do vírus mutante e My Number para vacinação

O governo passou instruções para monitoramento em todo país sobre a variante do coronavírus e outras medidas urgentes

videoconferência com 7 governadores
Na terça-feira (19), em videoconferência com governadores de 7 províncias o Primeiro-Ministro, Yoshihide Suga, discutiu 3 assuntos importantes em pauta.

Depois de tomar conhecimento de que há alta possibilidade da infecção da variante do coronavírus dentro da província de Shizuoka, disse que fará um esforço conjunto com as prefeituras para verificar a rota e fazer monitoramento. 

Variante do coronavírus e mais leitos
O Japão está vulnerável com esse vírus mutante desde que foi confirmada infecção pela variante britânica, na segunda-feira (18), em Shizuoka, em 3 pessoas. A mulher na faixa dos 20 anos não saiu da província desde o mês passado. Outra mulher, na faixa dos 40 anos e o homem na faixa dos 60, são pessoas com as quais teve contato próximo, e tiveram resultado positivo para essa variante do coronavírus. 

O outro assunto foi em relação à preocupação dos elevados números de novos casos de infecção. No dia em que foram confirmados mais de 100 óbitos, governo afirmou que a situação continua imprevisível. Solicitou aos governos locais medidas completas para frear a infecção entre os jovens.

Também disse que trabalhará para assegurar leitos para os pacientes em tratamento da Covid-19.

Vacinação e My Number
A vacinação em larga escala tem um calendário que prioriza as equipes médicas.  

  • 2.ª quinzena de fevereiro: cerca de 10 mil profissionais da saúde
  • Início a meados de março: cerca de 3 milhões de pessoas, incluindo profissionais da saúde
  • 2.ª quinzena de março: 36 milhões de idosos, com idade acima de 65 anos
  • abril: pessoas com doença subjacente
  • maio (previsão): população em geral, com idade superior a 16 anos

Takuya Hirai, ministro responsável pela revolução tecnológica, quer gerenciar o sistema de vacinação para a população através do uso do My Number. O assunto ainda está em discussão, embora defenda a importância do país gerenciar esses dados, especialmente se surgirem casos de efeitos colaterais. E afirmou que o sistema está preparado para isso, mas enfrenta opiniões contrárias.
Fonte: Portal Mie com NHK e IT Media

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Japão dará até 300 mil para comércio que precisar reduzir jornada em razão da pandemia

A notícia vem em razão do aumento dos casos na província de Hokkaido

lojas e restaurantes que precisarão reduzir o horário comercial
O governo japonês apoiará financeiramente lojas e restaurantes que precisarão reduzir o horário comercial para conter a disseminação do novo coronavírus, disse o primeiro-ministro Yoshihide Suga na segunda-feira (16). 

A promessa de Suga veio quando as autoridades de Hokkaido concordaram em pedir aos residentes de Sapporo, na ilha principal mais ao norte do Japão, que evitem passeios não essenciais após dias consecutivos de infecções recordes na região, noticiou a Kyodo News. 

Falando em uma reunião da força-tarefa do governo para lidar com o coronavírus, ele disse que o governo planeja usar 50 bilhões de ienes (US $ 480 milhões) para o programa de apoio caso as autoridades locais considerem necessário reduzir o horário comercial.

O dinheiro reservado deverá ficar entre 200.000 e 300.000 ienes por loja durante um mês, de acordo com as autoridades.

O pedido de redução do horário de funcionamento será limitado a áreas e indústrias específicas, disse Suga.

Além de Hokkaido, um ponto turístico popular conhecido pelo frio, neve e natureza exuberante, a província de Aichi, no centro do Japão, também está procurando aumentar seu alerta de coronavírus, enquanto Tóquio, Osaka e outras cidades importantes continuam registrando altos números de infecção.

No total, em todo o Japão, casos recordes diários de coronavírus foram relatados por três dias consecutivos até sábado, com o número chegando a 1.737 naquele dia.

Na segunda-feira, o Japão confirmou 949 novas infecções, elevando seu total cumulativo nacional para 120.263 casos. O número de mortos agora é de 1.919.

Suga também disse que pediria aos governadores que considerassem tornar grupos de mais de cinco pessoas inelegíveis para o programa governamental "Go To Eat", que visa encorajar jantares em restaurantes.

Com 189 novas infecções em Hokkaido relatadas na segunda-feira, o governador Naomichi Suzuki e o prefeito de Sapporo, Katsuhiro Akimoto, concordaram em uma reunião de emergência para exortar os residentes da cidade a não viajarem para outras áreas da ilha.

Hokkaido tem registrado um rápido aumento nas infecções diárias, com mais de 200 casos relatados em quatro dias consecutivos até o domingo. A região relatou um recorde de 236 casos na quinta-feira passada. 

Espera-se que Sapporo aumente seu alerta para a pandemia para quatro na escala de cinco níveis da ilha, indicando um rápido aumento nas infecções e a necessidade de implementar medidas para evitar um grande fardo sobre os hospitais e centros médicos.

O aumento do nível permitirá que as autoridades solicitem limites nas capacidades operacionais das instalações que não implementaram medidas contra a pandemia.

A ilha inicialmente solicitou que restaurantes e empresas de entretenimento no distrito de vida noturna de Susukino, em Sapporo, não operassem entre as 22h e 5 da manhã, enquanto promete 200.000 ienes para cada negócio que respeitar essa regra.

Mas as autoridades locais agora planejam expandir o pedido para toda a cidade e convocar restaurantes, que não têm medidas de prevenção contra vírus adequadas, para evitar a abertura.

Enquanto isso, o governador de Aichi, Hideaki Omura, disse na segunda-feira que sua província está considerando aumentar o alerta depois de ver mais de 100 infecções diárias por seis dias consecutivos até o domingo.

"Não esperamos uma tendência de queda" por enquanto, disse ele em entrevista coletiva.

Apesar de um aumento nos casos, Suga disse que o governo manterá sua campanha de subsídio "Go To Travel" para apoiar o turismo doméstico.
Fonte: Alternativa

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Abe vai renunciar após ter saúde abalada por doença grave, diz NHK

 O primeiro-ministro tem uma colite ulcerosa desde a adolescência

Primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, deve renunciar ao cargo devido a problemas de saúde, informou a emissora NHK nesta sexta-feira (28), confirmando temores de que ele não teria mais condições de governar o país.

Abe tem uma entrevista coletiva agendada para as 17h desta sexta-feira. Ele deverá falar sobre sua renúncia e seu estado de saúde, depois de ter feito exames em um hospital de Tóquio duas vezes em apenas uma semana.

O primeiro-ministro tem uma colite ulcerosa desde a adolescência e as visitas hospitalares indicam que a doença pode ter se agravado nos últimos meses devido aos esforços do governo para conter a pandemia de coronavírus.
Fonte: Alternativa

terça-feira, 21 de abril de 2020

Coronavírus: Sem direito a home office, operários brasileiros no Japão temem contágio e desemprego

"A gente está desprotegido de todos os lados: é medo de pegar vírus, medo de ficar desempregado, medo de precisar voltar para o Brasil com uma mão na frente e outra atrás", diz brasileiro que trabalha em fábrica japonesa

 brasileiros no Japão

Nos primeiros dias de abril, três meses após o primeiro caso confirmado de covid-19 no Japão, Armando*, paulistano de 41 anos, ouviu pela primeira vez a palavra "corona" na fábrica onde trabalha, na província de Aichi.

"É hora de se cuidar para não atrapalhar a linha de produção", disse o supervisor japonês da unidade. "O ideal é ir de casa para a fábrica, da fábrica para a casa", orientou.

Depois, por volta do dia 9, Armando recebeu um folheto ilustrado com instruções para higienizar as mãos e usar máscaras na usina, que produz peças para mega montadoras japonesas como Toyota, Suzuki e Daihatsu. A fábrica não fornece máscaras aos operários, mas recentemente instalou um ponto de álcool spray na área dos vestiários. Até 17 de abril, o país registrou mais de 9 mil casos e 160 mortes (não há dados divididos por imigrantes e japoneses).

"Antes ninguém tocava no assunto. A fábrica estava a todo vapor, como se não estivesse acontecendo nada lá fora. Só agora o pessoal está acordando para a realidade da pandemia", diz Armando, um dos milhares de trabalhadores imigrantes de Aichi, que concentra o maior número de residentes brasileiros (52.919, segundo dados do Ministério da Justiça do Japão de 2018).

Além de brasileiros dekasseguis (descendentes de japoneses que migram para trabalhar temporariamente no país), a indústria japonesa emprega contingentes de chineses, coreanos, filipinos e vietnamitas.

Enquanto no Brasil se instaurou uma discussão sobre parar ou não a economia diante das diretrizes de isolamento, no Japão não foi imposta a quarentena. Em 25 de março, o presidente compartilhou no Twitter um vídeo de um brasileiro em um parque de Tóquio, destacando a "normalidade" da vida japonesa apesar do vírus, a fim de criticar a quarentena, que é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por autoridades de diversos países.

Estado de emergência
Em 24 de março, porém, após o adiamento da Olimpíada de Tóquio para 2021, o arquipélago registrou recordes de novos casos por dia, levando políticos, empresários e especialistas japoneses a pressionar por medidas mais rigorosas no combate à covid-19.

Em 7 de abril, o primeiro-ministro Shinzo Abe declarou estado de emergência, que inicialmente valia para sete das 47 províncias (Tóquio e Osaka, entre elas) e deveria durar até 6 de maio. Nove dias depois, Abe estendeu o estado de emergência para todo o país, estipulando uma meta de 80% de isolamento nas maiores cidades. Sob estado de emergência, bares, cassinos, cinemas, colégios, museus e parques de diversões podem ser suspensos temporariamente. Fábricas como a de Armando, por sua vez, devem continuar funcionando "até segunda ordem".

"Home office pra operário? Impossível. Quer quarentena? É por sua conta e risco: para quem é terceirizado e temporário como eu, se não bater ponto, desconta o dia; se reclamar, é demitido. A gente está desprotegido de todos os lados: é medo de pegar vírus, medo de ficar desempregado, medo de precisar voltar para o Brasil com uma mão na frente e outra atrás", define.

Nas fábricas japonesas, muitos imigrantes são terceirizados e temporários — o contrato, intermediado por empreiteiras e renovado por períodos de um a 3 meses, por exemplo, estipula pagamento por hora trabalhada (e não por dia ou por mês).

Teoricamente, trabalhadores japoneses e estrangeiros têm direitos iguais. Se na pandemia a demanda diminuir e a fábrica decidir desacelerar a produção, por exemplo, estrangeiros devem receber remuneração pelos dias parados (a depender do caso, o kyuugyou teate, benefício por descanso forçado, ou o yuukyuu kyuka, dia de férias remuneradas) e não podem ser sumariamente demitidos.

"Ainda que a administração da empresa esteja indo mal devido à infecção pelo novo coronavírus, não podemos admitir que os trabalhadores estrangeiros sejam tratados com desvantagem ante os japoneses", diz o informe, traduzido para 16 idiomas e publicado no site do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão. No dia 10, o ministério informou que pretende disponibilizar 40 conselheiros nas agências Hello Work, os centros de assistência de empregos, para dar orientações a estrangeiros que se sentirem prejudicados.

"Há muito tempo, o governo japonês tem a preocupação de garantir condições de trabalho igualitárias, não só entre estrangeiros e japoneses, mas entre efetivos e não-efetivos (terceirizados, temporários, meio-período etc.). Em caso de falta para ir ao médico, por exemplo, o empregador deve possibilitar o uso das férias remuneradas pelos terceirizados, que é o mesmo direito dos trabalhadores efetivos. Se o empregador não respeitar essa regra, o trabalhador deve denunciar o fato às autoridades", diz a advogada Vitória Pinhas, especialista em direito de imigração e transações internacionais, cujo escritório conta com advogados licenciados em países como Brasil, Estados Unidos e Japão.

Direitos trabalhistas

Direitos trabalhistas em xeque
Na internet se proliferam os posts de casos de desrespeito de direitos trabalhistas, mas sem identificar empresas e empreiteiras, pois muitos imigrantes temem represálias e não conseguir outros trabalhos.

"Todos os terceirizados de empreiteira estão na corda bamba. Mais de 100, antigos e novos de casa, jovens e velhos, foram demitidos do dia para a noite", postou Marina*, de Anjo. "Terceirizados receberam aviso prévio hoje (2 de abril). Isso que a montadora é correta e dá aviso prévio, a maioria não dá. Pensa que está ruim agora? Sabe de nada, inocente", escreveu Elisa*, de Nagoia.

O governo japonês divulgou iniciativas como auxílio de 300 mil ienes (cerca de R$ 15 mil) para famílias cuja renda foi afetada pela pandemia, sinalizou subsídio financeiro para pais que precisarem faltar ao trabalho para ficar com seus filhos (já que os colégios públicos tiveram aulas e atividades suspensas entre março e abril) e agora discute uma nova proposta de auxílio de 100 mil ienes (cerca de R$ 5 mil) por residente. Entretanto, é limitado o alcance das informações para imigrantes, principalmente devido à barreira do idioma.

Só depois das declarações de estado de emergência, autoridades intensificaram atendimento telefônico multilíngue para dúvidas relativas ao novo coronavírus para estrangeiros que estejam visitando ou vivendo no Japão, inclusive informações para testes. Tóquio, por exemplo, só lançou uma linha direta, disponível em 14 idiomas, em 17 de abril.

Falta de testes
Há tempos o governo japonês vem sendo criticado por não realizar testes numerosos desde o início do surto, na contracorrente da diretriz da OMS ("testem, testem, testem; testem todo caso suspeito", nas palavras de Tedros Adhanom, diretor da organização). No país, a capacidade de realizar testes saltou de 7,5 mil por dia, até fins de março, para 20 mil por dia, no início de abril. A partir daí, o total ultrapassou 100 mil exames do tipo PCR realizados.

Para Kentaro Iwata, diretor da divisão de doenças infecciosas da Universidade de Kobe, a estratégia de testar apenas focos de infecção foi bem-sucedida enquanto o número de casos positivos ainda era baixo. "A alta de casos em Tóquio e Osaka mudou a situação. Agora, o Japão precisa de mais testes", diz.

Entretanto, imigrantes com sintomas de covid-19 relatam dificuldades para conseguir realizar o exame. Foi o caso de Ana*, paulistana de 37 anos, há 8 no Japão, que está grávida de 8 meses.

Ana trabalha em uma empresa de tecnologia da informação de Tóquio. No fim de fevereiro, uma colega viajou de férias para o Havaí, voltou à empresa, teve febre por dois dias seguidos, foi afastada e voltou a trabalhar depois de dez dias. Em nenhum momento ela foi examinada, o prédio não foi dedetizado e empresa não fez comunicado oficial aos outros funcionários. "A partir de 16 de março, eu me senti mal e passei a medir a temperatura: 37,6 graus. No dia 17, 37,9 graus, e um cansaço anormal no corpo. Meu marido é japonês, domino o nihongo (a língua japonesa) e decidi ligar na linha direta para pedir informações e tentar marcar o teste", narra.

Ana foi instruída pela atendente a buscar a linha direta do centro de triagem de Yokohama, cerca de 30 km ao sul da capital, mas não conseguiu contato. Decidiu então procurar o consultório de sua obstetra, onde fez o único teste disponível, de influenza (H1N1), que deu negativo.

Orientada a esperar dois dias para acompanhar os sintomas, ela foi para casa e se isolou no quarto, sem contato com o marido. Nos dias seguintes, Ana sentiu fadiga, febre, falta de ar e tosse seca, voltou a ligar para o centro de triagem de Yokohama, que a encaminhou a outro número.

"A todo momento, uma voz dizia que o telefonema estava sendo gravado, mas precisei contar a história inteira diversas vezes. O que mais me chocou foi o tom das perguntas, distorcendo o que eu estava dizendo. Eu descrevia os sintomas e, do outro lado, a atendente dizia 'mas a febre está constante todos os dias, o tempo todo?, mas a dor no peito não necessariamente é por causa da falta de ar, né?', tentando direcionar para uma situação que não dá suspeita. Tive de bater o pé: não, não foi isso o que eu disse, a ligação está sendo gravada, pode conferir".

Ao fim, Ana recebeu outro número para ligar, com a promessa de conseguir marcar o teste "se passasse" pela triagem. Quarenta minutos depois na nova ligação, foi orientada a ficar mais dez dias esperando a evolução dos sintomas em casa. "No dia 23, a febre abaixou e consegui respirar melhor, mas com um chiado que nunca tive no peito. Ouvir, do outro lado da linha, 'você não é caso de internação, você ainda está conseguindo conversar' é desesperador. O pior é ficar sem saber", relata, com voz ofegante.

No dia 25 de março, Ana precisou voltar ao trabalho, pressionada pelos chefes por não ter atestado ou laudo médico para apresentar, já que não foi sequer testada e "só ficou em casa". "Os dias que eu faltei vão ser descontados; não tem teletrabalho, não tem home office. Eu não deveria sair de casa, pegar trem, ir ao escritório, expor o risco do vírus aos outros, mas fui forçada a trabalhar nos dias 26 e 27. Depois, decidi não me arriscar mais e pressionei para conseguir antecipar a licença maternidade."

trabalhadores estrangeiros no Japão

Com os filhos em casa
Eduarda*, paulistana de 32 anos, há 10 meses no Japão, enfrenta outro tipo de dificuldades. Mãe de um menino de 6 anos e uma menina de 7, ela não pode deixar os filhos desacompanhados em casa — os garotos estão matriculados em um colégio particular para filhos de imigrantes, onde as aulas foram suspensas entre 9 e 20 de março e, após a declaração de estado de emergência, a partir de 10 de abril indefinidamente.

"O governo tinha divulgado ajuda para mães, mas não especificava colégios de crianças brasileiras. Tirei metade dos dias de férias remuneradas a que tinha direito em março para ficar com as crianças e a partir de agora, em abril, não sei como vou continuar cuidando deles e trabalhando na fábrica ao mesmo tempo. Não vou ter dinheiro no mês que vem", diz Eduarda, de Toyoashi.

"Fui na empreiteira para pedir informações, pois infelizmente a gente, imigrante, fica preso a eles. Mas eles disseram que não sabem simplesmente de nada, que é tudo vago, que é esperar pra ver. Enquanto isso, a gente faz das tripas coração pra pagar as contas", define.

Toyota, Suzuki & cia.
Além do medo de ficar doente (como Armando), não conseguir ser examinado (como Ana) ou de precisar escolher entre cuidar dos filhos ou trabalhar (como Eduarda), brasileiros temem o desemprego durante a crise do coronavírus, diante de casos recentemente revelados nas fábricas japonesas.

Em fins de março, uma unidade da Toyota, uma das maiores montadoras do país, registrou dois casos de coronavírus— além dos diagnosticados, dois funcionários na casa dos 20 anos, foram afastados 33 operários que tinham contato constante com eles em um galpão de Takaoka, na cidade de Toyota (Aichi); a unidade foi fechada por três dias (de 23 a 25 de março) para ser desinfetada. Segundo a NHK, a agência pública do Japão, outro funcionário, na faixa de 30-39 anos, foi diagnosticado na unidade de Miyata, na cidade de Miyawaka (Fukuoka). A identidade deles não foi divulgada.

Diversas fábricas da Toyota paralisaram atividades por períodos breves neste mês. Nos últimos dias, outros titãs da indústria automotiva suspenderam a produção no território japonês: subsidiárias e unidades da Suzuki pararam; instalações da Honda, Nissan, Mazda e Mitsubishi, idem.

Honda e Nissan inclusive sinalizaram demissões de 10 mil funcionários cada, nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, de acordo com a consultoria Bright Consulting, focada no setor automotivo, as paradas de produção atingem cerca de 370 mil funcionários de montadoras e fornecedoras de autopeças, um prejuízo de até R$ 42 bilhões em 2020.

"O bem-estar do trabalhador é a última das preocupações. As fábricas japonesas estão parando por falta de peças ou de pedidos", diz Armando, que ganha 1.300 ienes por hora (cerca R$ 63). Em março, o operário fez jornadas de 11 horas de segunda a sexta e trabalhou quase todos os sábados. Em abril, passou a trabalhar cerca de 6 horas por dia. "Quer dizer, menos horas, menos dinheiro no fim do mês."

No dia 10, Akio Toyoda, presidente-executivo da Toyota e diretor da Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis, declarou que a indústria automotiva japonesa buscará proteger empregos no mundo todo. Toyoda comparou o atual contexto incerto e a necessidade de ficar em casa como "um longo inverno". "Agora estamos sentindo mais do que nunca que poder ir aonde você quer é uma experiência emocionante verdadeiramente. Vamos sobreviver, ou então não haverá primavera."

*Nomes fictícios para preservar identidades dos imigrantes;

**Fontes de informações para brasileiros residentes no Japão:

  • Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar
  • Centro de Apoio para Residentes Estrangeiros de Tóquio: 0120-296-004 (seg. a sex., 10:00 - 17:00)
  • Centro de Informação Médica da Ásia: 03-6233-9266 (atendimento em português às sextas, 10:00 - 15:00)
  • Centro de Aconselhamento para Trabalhadores Estrangeiros: 0570-001703 (atendimento em português de seg. a sex., 10:00 - 15:00)
Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 7 de abril de 2020

Estado de emergência no Japão: veja o que muda nas províncias afetadas

Premiê japonês declarou emergência para sete províncias durante um mês
Estado de emergência no Japão

O primeiro-ministro Shinzo Abe declarou nesta terça-feira (7) estado de emergência para sete províncias japonesas por um mês.

Segundo informações da emissora NHK, estão na lista as províncias de Tóquio, Kanagawa, Saitama, Chiba, Osaka, Hyogo e Fukuoka, por serem as localidades com mais casos crescentes de contaminação pelo novo coronavírus.

“Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, neste momento de crise, para salvar vidas. Gostaria de pedir a colaboração da nação para que possamos superar essa fase difícil unidos”, disse Abe durante coletiva de imprensa, realizada na noite desta terça-feira.

O estado de emergência estará valendo até o dia 6 de maio, quando se encerra o feriado prolongado de Golden Week.

Moradores das províncias listadas devem evitar saídas desnecessárias, como passeios noturnos ou aos fins de semana. A população poderá, no entanto, ir e vir do trabalho, comprar alimentos e se consultar em hospitais locais quando necessário.

Veja quais serão as determinações durante os próximos 30 dias:

Escolas e eventos
As províncias em emergência podem solicitar a suspensão de escolas e cancelamento de eventos. Locais de aglomeração devem ter uso limitado durante este período.

O pedido de suspensão deve valer para escolas primárias, ginasiais e de ensino médio, creches, e os "day services" (serviços de um dia de bem-estar aos idosos). Locais com mais de 1000 m², como cinemas, teatros, lojas de departamento, hotéis, clubes noturnos, ginásios esportivos, bibliotecas e museus, devem ter uso limitado ou suspenso.

Supermercados e farmácias, que fornecem produtos essenciais, devem continuar abertos normalmente. Talvez haja limitação do horário de funcionamento ou um horário reservado apenas para as compras dos idosos.

Os estabelecimentos e instituições que não cumprirem o pedido devem receber instruções diretas do governo e terão os nomes divulgados em uma página oficial.

Segundo informações da NHK, não haverá aplicação de multas e o objetivo de divulgar os nomes é fornecer a população informações sobre o que estará fechado ou com funcionamento limitado.

Serviços básicos
Os serviços básicos como fornecimento de luz, água e gás não serão afetados pelo estado de emergência. O governo deve garantir que as empresas responsáveis por esses serviços continuem operando de forma estável.

O mesmo vale para o serviço de correio nacional, internet e telefone. O correio internacional acabou afetado pela redução de voos e os correios do Japão não estão enviando encomendas por via aérea para 73 países, incluindo o Brasil.

Transporte público
As linhas de trem e de ônibus devem continuar em operação durante o período de emergência. O mesmo vale para as companhias aéreas ainda em operação e as rodovias.

Não haverá determinações para que o transporte público seja suspenso ou limitado. Porém, é possível que muitas empresas decidam diminuir as linhas por causa do número reduzido de passageiros.

Medidas agressivas
Durante o estado de emergência, o governo pode tomar medidas mais agressivas para garantir o necessário para o tratamento de saúde dos infectados. O governo poderá utilizar propriedades privadas sem autorização para a instalação de hospitais de campanha e ordenar as fabricantes de itens médicos e transportadoras a fornecer e entregar os produtos necessários as instituições médicas.

O estado de emergência do Japão é diferente do bloqueio "lock down" adotado em outros países, com medidas de quarentena obrigatória. As determinações do governo japonês contam com a colaboração da população e não preveem punições aos indivíduos que não obedecerem.

Para as empresas que receberem ordem de venda ou serviços para os hospitais, poderá haver multa ou prisão no caso de descumprimento.
Fonte: Alternativa

quinta-feira, 26 de março de 2020

Japão se prepara para eventual declaração de emergência por coronavírus

Abe pode declarar emergência se a doença representar um "grave perigo"
Primeiro-ministro do Japão

O Japão está instalando nesta quinta-feira (26) uma nova força-tarefa de medidas contra o novo coronavírus, em meio a preparativos para uma eventual declaração de estado de emergência no país, informou a agência de notícias Kyodo, depois que a capital Tóquio viu um aumento acentuado nos casos de covid-19 nesta semana.

O secretário-chefe do gabinete, Yoshihide Suga, disse em entrevista coletiva que agora é um "momento muito importante" para o Japão evitar um aumento na propagação do vírus.

De acordo com uma lei revisada este mês, o primeiro-ministro Shinzo Abe pode declarar estado de emergência se a doença representar um "grave perigo" para a vida da população e se sua rápida disseminação ameaçar a economia. O coronavírus aumentou o risco de recessão no Japão.

"Eu disse ao primeiro-ministro que existe um alto risco de que o coronavírus se espalhe amplamente", disse o ministro da Saúde, Katsunobu Kato, a repórteres depois de uma reunião com Abe e o ministro da Economia, Yasutoshi Nishimura.

Mas o governo não estava considerando declarar um estado de emergência no momento, disse Nishimura.

O Japão tem atualmente mais de 1.310 casos de coronavírus, sem contar 712 passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro Diamond Princess, informou a emissora NHK. Houve 45 mortes, além de 10 do navio.

Se um estado de emergência for declarado, os governadores das províncias mais atingidas poderão tomar medidas como pedir às pessoas que fiquem em casa, fechar escolas e outros estabelecimentos públicos e cancelar grandes eventos.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) e o governo japonês concordaram na terça-feira em adiar os Jogos de Tóquio para 2021, depois de alguns países terem dito que não enviariam atletas devido à pandemia.

Mesmo se um estado de emergência for declarado, os especialistas notaram que não há penalidades por ignorar a maioria das instruções das autoridades locais. Mas a declaração colocaria pressão adicional sobre as pessoas e empresas para obedecer as determinações.
Fonte: Alternativa com Reuters